George Orwell – 1984 (1949)

“Totalitarismo, polícia política, vigilância e controle da vida privada

NOTA: 10/10

Eric Arthur Blair, nascido em 25/06/1903 na Índia, mas filho de pai Inglês (Londres/UK) ficou conhecido como George Orwell e foi um escritor, jornalista e ensaísta político. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada, uma consciência profunda das questões sociais, oposição frontal ao totalitarismo e paixão pela clareza da escrita. Tido como simpatizante da proposta anarquista, o escritor defendeu a auto-gestão ou autonomismo. Sua hostilidade ao Stalinismo nasceu pela observação da experiência fracassada do socialismo soviético, um regime por ele denunciado noutro livro extraordinário, A Revolução dos Bichos. O estilo de escrita e o gosto por esse tema se revelou uma característica constante no conjunto de sua obra.

1984 foi escrito originalmente em 1949 e conta uma história fictícia que, além de assustadoramente profética, permanece atualíssima até os dias de hoje. Foi traduzido em 65 países, virou minissérie, filmes, inspirou quadrinhos, mangás e até uma ópera. Mas foi ganhou renovados holofotes em 1999, quando a produtora holandesa Endemol batizou seu reality show (formato que chegou à TV nos anos 1970), de Big Brother, o mais sinistro personagem, ou melhor, entidade do livro.

No enredo descreve um país governado pelo Grande Irmão, como gosta de ser chamado. Mas ele é um sujeito aparentemente normal: aproximadamente 45 anos de idade, caracterizado pelo uso de um grande bigode preto e feições rudes, mas agradáveis. O Big Brother assumiu o poder como é o líder máximo depois de uma guerra de escala global (maior que a 2ª Grande Guerra), que eliminou as nações como as conhecemos hoje e criou 3 grandes estados transcontinentais e totalitários. A Oceania (Oceania, Américas, Islândia, Reino Unido, Irlanda e grande parte do sul da África.), A Eurásia (Europa, exceto Islândia, Reino Unido e Irlanda, quase toda a Rússia e pequena parte do resto da Ásia), a Lestasia (China, Japão, Coreia, parte da Índia e algumas nações vizinhas).

A fictícia Oceania, maior e mais poderosa porção do novo mundo é onde se passa a história. Em Londres, bem como em todo o território nacional, as cidades são vigiadas pelo Grande Irmão, que a tudo ver e que tudo sabe. Por meio das teletelas, ele controla a vida dos cidadãos nos menores detalhes. Estas estão espalhadas em todos os lugares (públicos e privados). São uma espécie de televisor capaz de monitorar, gravar e espionar a população, como um espelho duplo.

O protagonista, Winston Smith, é funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade – DDMV, um dos quatro ministérios da Oceânia, seu trabalho é falsificar registros históricos, a fim de moldar o passado em função dos interesses do líder supremo no presente (prática, aliás, que parece estar ganhando corpo no Brasil). Havia opressão em todos os sentidos. Pra se ter uma noção, havia A Polícia das Ideias, que atuava de forma implacável contra o livre pensar. Mas não para aí: até as relações amorosas eram proibidas. Winston detesta o sistema, porém, se limita a cumprir ordens, evitando desafiá-lo. Mas isso muda quando conhece Júlia (Departamento de Ficção), uma jovem rebelde por quem se apaixona. Juntos, passam a questionar o sistema e acreditar que uma rebelião é possível. Mas combater o sistema não seria e não foi fácil….

Para saber mais, por favor, leiam o livro.

Referências:

10 comentários sobre “George Orwell – 1984 (1949)

  1. A capa do livro remete-nos literalmente para a imagem de Hitler, havendo uma questão que gosto sempre de colocar: como teria sido se a Alemanha tivesse vencido a primeira guerra mundial? Como seria a Europa e o mundo de hoje? Teria havido Hitler? E os Estados Unidos teriam sido a potência que foram durante tantas décadas?

    Falando em Big Brother e sociedade, o que se passa nos nossos países não será um controlo massivo da população através de técnicas psicológicas e emocionais? Porque será que pessoas determinadas assustam? Porque razão tendemos a querer calar vozes dissonantes? O medo existe porquê? Eu li este livro e além de estar muito bem concebido, faz-nos exercitar o pensamento no sentido de compreender quem somos dentro de uma sociedade e enquanto seres individuais. Talvez porque sempre me chamaram de rebelde e porque de facto o sou, seja importante questionar o que não querem ou têm receio de questionar.

    Para mim, vivemos numa sociedade onde a grande maioria além da profunda cegueira em que se encontra, tenta não permitir que as vozes e os pensamentos dissonantes possam voar e fazer a diferença.

    Caro filosofo, deixo-lhe estas questões para dissertação 🙂

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    1. Questões difíceis e necessárias de se pensar, haja vista que um tema desta complexidade ter virado paródia para um público nada crítico nas mãos da Endemol e de muitas TVs espalhadas pelo mundo. Forte abraço e Bjo.

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      1. Infelizmente Ricardo, é o pão nosso de cada dia e como não são tantos aqueles que pensam pela sua própria cabeça levam volta e meia com a mediocridade dos outros em cima.

        Gosto dessa foto sem óculos de sol, olhos bonitos 🙂

        Um beijo!

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