Todos os posts de Ricardo Cunha

Estudante de administração, produtor de conteúdo web, fã de rock e cultivador de cactos.

Marketing: Fatores que Influenciam Nas Decisões De Consumo

“A decisão de consumo está associada à fatores que influenciam o comportamento. São os chamados influenciadores. São os fatores culturais, fatores sociais, fatores pessoais e fatores psicológicos.”

Os fatores culturais envolvem a cultura, a subcultura e a classe social do consumidor que define o perfil de produtos que serão consumidos. A cultura inclui os objetivos materiais da sociedade, as ideias e valores, as instituições, a maneira como nos vestimos, pensamos. A subcultura é a subdivisão de uma cultura nacional, que é baseada em uma característica específica. Pode ser idade ou etnia, por exemplo. A classe social é uma divisão baseada em status, riqueza, posses, valores, estilos de vida que influenciam principalmente no tipo e na forma de consumo.

Os fatores sociais envolvem os grupos de referência, a família, os papéis e a posição social. Os grupos de referência podem influenciar o consumo baseado em normas, encorajando a expressar certos tipos de valores. A família influencia no consumo baseado na posição do líder da família e no perfil dos componentes dela. Os filhos por exemplo, influenciam principalmente na compra de comida e no lazer e a influência dos filhos aumenta com a idade.

Em relação aos papéis e posição social, os líderes de opinião são os principais influenciadores. Eles podem ser líderes por inovar na compra de produtos, por estarem sempre envolvidos na categoria de produtos e por conhecer o mercado.

Já os fatores pessoais englobam a idade e o estágio do ciclo de vida, a ocupação, as condições econômicas, o estilo de vida, a personalidade e o auto conceito. A cada fase da vida, os desejos e necessidades são modificados. Jovens, recém-casados, casal com filhos, sem filhos; cada uma dessas fases exige produtos diferentes e com isso, o hábito de consumo muda.

A vida profissional também define os hábitos de consumo e os produtos consumidos, assim como o estilo de vida. Pessoas com maior poder aquisitivo não viajam para os mesmos locais que a classe média, ou um casal com filhos. As exigências são diferentes. Os locais frequentados também são diferentes. Jovens possuem uma vida noturna mais ativa, enquanto adultos casados e com filhos, possuem hábitos diurnos. Esses exemplos valem também para o estilo de vida, a personalidade e o auto conceito. Adultos com famílias não comprarão o mesmo carro que um jovem solteiro. Os objetivos são diferentes.

Os fatores psicológicos incluem a motivação, a percepção, a aprendizagem, as crenças e as atitudes. Todos os elementos influenciam a decisão de compra. A motivação baseia-se em um estado intrínseco, interno que a leva a um comportamento direcionado por um objetivo. São os impulsos, anseios ou desejos que iniciam a sequência de eventos que a levam a uma ação. O conhecimento do consumidor também é fator condicionante no processo decisório. A medida que o conhecimento aumenta, o consumidor passa a fazer distinções mais apuradas entre as marcas.

A influência na tomada de decisão

 Os fatores apontados acima são influenciadores no comportamento e na tomada de decisão de compra. Por isso, é fundamental que os produtos e serviços oferecidos estejam devidamente orientados para cada perfil de consumidor e que essas variáveis sejam consideradas.

A compra é resultado da percepção dos consumidores de que eles tem um problema e se movem no intuito de resolvê-lo. As etapas do processo de decisão passa pelo reconhecimento do problema, pela busca das alternativas, pela identificação das opções e pela avaliação da pós decisão. Após todas as etapas e caso o resultado seja positivo, a ação é efetivada.

Meu objetivo aqui não foi esgotar o assunto, mesmo porque o processo de compra e comportamento do consumidor é alvo de vários estudos contínuos que identificam uma nova característica todos os dias, diante da evolução do próprio consumidor. O intuito aqui foi apresentar um assunto que deve ser considerado pelo departamento de marketing e vendas para avaliar os resultados e definir as estratégias de posicionamento de produtos. Quanto maior for o conhecimento sobre o assunto, maiores as chances de resultados satisfatórios.


Fonte:

Marketing Experiencial – Estratégia principal para um seguimento de empresas

Usamos nossos cinco sentidos no dia-a-dia, nosso corpo nos leva com muita sabedoria para todo lugar. Se um cheiro é ruim, logo franzimos a testa. Se o toque é áspero, damos um passo para trás. A experiência nos leva para onde é melhor, onde tem mais benefícios, onde o nosso corpo quer estar.

Agora, imagina estar sem um desses cinco sentidos. De olhos vendados, é possível apreciar melhor o sabor, não é mesmo? A partir desse conceito foi construída uma marca. Um (agora) famoso restaurante parisiense investiu na ideia, e de tanto sucesso, hoje espalha filias pelo mundo, com sua estratégia de marca: usar os sentidos para valorizar o sabor e a textura dos pratos.

marketing sensorial é bem difundido, muitos autores foram capazes de desenvolver brilhantes trabalhos sobre ele. Um passo a mais e temos a experiência de marca, que pode ser uma ótima ferramenta para atrair e cativar clientes, mas também pode derrubar uma marca. Nesse caso, tiramos a ideia de beneficiar alguns dos sentidos, mas atender a todos, pois a experiência agora é emocional.

O marketing experiencial traz à tona tudo o que uma marca, produto ou empresa pode oferecer de benefícios. No mundo atual, onde tudo é conectado, dinâmico e interpessoal, as experiências de marca estão indo ao encontro do que o consumidor está pedindo. Se ele quer agilidade, esta será atendida; se ele quer sabor e preço, também, e por aí vai. A experiência é além de sensorial, é ainda mais que emocional. Tudo para agradar públicos antenados com a mudança e sedentos de experiências inesquecíveis.

Uma marca deve, além de estar alinhada com seu público, sabendo das suas necessidades, poder satisfazer seus consumidores lhes proporcionando momentos agradáveis. O carinho com que somos recebidos em determinadas pousadas e hotéis faz-nos sentir como se estivéssemos na casa de nossos avós. Essa experiência que vai fazer-nos voltar lá. O cheiro do café passado na hora – diferente daquela máquina que fica ao lado de outra máquina que têm leite à disposição, não tem preço. Mas tem valor, esse valor que pode ser muito bem percebido na hora do check out.

Estamos todos esgotados de marcas, produtos e serviços sendo oferecidos de qualquer jeito, a qualquer hora e por todo tipo de preço. Quem puder ser agraciado com uma experiência única, que agrega pontos aquele produto, além da solução do problema do cliente, está dando a oportunidade de ele voltar. Pois só quem é bem tratado volta, somente quem recebe o tratamento que deseja pensa em manter um relacionamento. Nunca é demais lembrar que é fácil de acostumar-se com o bom, então por que entregar o mediano para o seu cliente? Ele merece o melhor da sua marca. Então entregue!

Uma hora experimente fazer algo inusitado ao seu cliente, peça que ele escolha um dos cinco sentidos para consumir a sua marca. Peça para que ele lhe identifique perante a concorrência. Será que ele conhece mais da sua marca do que você? Ele pode te surpreender. Teste seus próprios produtos: busque onde cada um deles se destaca pela forma, pelo visual, pelo toque.

Experimente fazer uma rodada de sabores em uma mesa, cada cliente pode ser presenteado se adivinhar as frutas que compõem aquele suco. Vendado, ele precisa adivinhar de que é feita aquela salada mediterrânea. Tenho certeza de que a experiência vai fazer o seu cliente mudar a percepção que ele tem dos seus produtos, e mais ainda da sua marca. Experimente!


Conteúdo integralmente reproduzido do site Ideia de Marketing:

Marketing Institucional – Noções Básicas

Primeiramente, o Marketing, no seu sentido mais amplo, deve fazer parte da macro estratégia da organização.

Nesse sentido:

Bem, eu atuei na área de Recursos Humanos de uma grande empresa num momento muito especial de sua história e foi importante participar do processo de uniformização e automatização dos seus processos operacionais que, concomitantemente, se conectou com o auge da minha carreira.

Trata-se de uma empresa de economia mista (público-privada) onde a maioria dos processos era influenciada pelos hábitos e práticas dos órgãos públicos. Ocorre que, em determinado momento houve a necessidade de gerar lucro para se assumir como uma empresa auto sustentável.

Todas as áreas se submeteram a um processo que durou aproximadamente 12 meses de mapeamento de processos e elaboração de fluxogramas em todas as áreas. Foram longos meses descrevendo e relacionando os processos de uma área já pensando na continuidade destes a partir do momento que passa para a área correlacionada.

A gerência de Recursos Humanos vislumbrou que muitos dos seus processos tinha origem a partir de demandas de outras áreas e que o desfecho de muitos desses processos não se dava na sua seara, mas, na de outras gerências. Ou seja, nossos processos eram o elo entre uma área e outra e, da qualidade do nosso trabalho, dependia a satisfação e o cumprimento das metas das demais.

Havendo tomado a consciência de como os processos se relacionavam no todo organizacional, pudemos nos perceber dentro da cadeia produtiva da empresa e entender como eliminar muitas de nossas deficiências.

Ao final, com todas as engrenagens girando no tempo certo, pudemos enxergar todo o trabalho despendido como uma grande obra de marketing corporativo que melhorou nossa autoimagem e a das demais. Isto projetou e deu visibilidade aos nossos esforços e à nova cultura organizacional para além das fronteiras da instituição.

Enfim, com base nesta experiência, acho que posso dizer que Marketing é 1) todo esforço orientado para a análise e a melhoria dos processos em geral, 2) construção de imagem e 3) venda desse todo organizado para os clientes internos e externos.


Robert Henry Srour – Poder, Cultura e Ética nas Organizações

“O desafio das formas de gestão”

Nota: 9,00.

O ambiente organizacional sempre foi um ecossistema rico para investigar e aprender sobre as relações humanas. Nele, ocorrem fenômenos de todos os tipos e naturezas, dada a diversidade de pessoas, seus comportamentos e as circunstâncias de cada ambiente. Por falar em comportamento, é sempre fascinante notar como é paradoxal. Ao mesmo tempo em que é singular, é também plural; simples e complexo; tranqüilo e dinâmico, e por aí vai.

“Poder, cultura e ética nas organizações”, analisa as relações de poder em torno dos objetivos empresariais, como interagem e se articulam para que a empresa cumpra suas várias missões. Através de uma interpretação baseada em anos de estudo, o autor buscar tornar compreensível os movimentos que ocorrem em todos os níveis organizacionais e, a partir disto, elabora uma tese que descreve a nova arquitetura do capitalismo social. Para possibilitar um entendimento no mesmo nível do autor, ele faz pontes com temas como a revolução digital, a globalização econômica e a sociedade da informação.

Em primeiro plano figuram as relações de trabalho nas empresas que, para se tornarem competitivas, tiveram que passar por mudanças radicais envolvendo os seus empregados. E nos leva a perceber que as transformações ocorridas no ceio destas organizações ocorreram como conseqüência das pressões que a cidadania organizada exerceu no cotidiano das empresas e das ruas.

No ponto que tange ao capital humano, nota-se que os trabalhadores deixaram de ser percebidos como meras peças de reposição nas engrenagens da linha de produção e passaram a ser capacitados ao ponto de tornarem-se polivalentes no desempenho de suas atividades. A implementação de ferramentas tecnológicas em grande escala permitiu que o agora, colaborador, pudesse fazer mais uso das faculdades mentais do que da força física e isto deu-lhes mais dignidade como pessoa.

Por fim, a principal conclusão a que se pode chegar é a de que as transformações pelas quais passaram as relações de trabalho e emprego foram possíveis graças ao processo de intervenção política da sociedade civil, que desde o período entre as duas guerras mundiais, foi se aprimorando e ganhando poder para redefinir muitas das relações capitalistas.


Autor: Robert Henry Srour;
Ano: 2005;
Páginas: 408;
Editora: Ed. Campus.

Monografia: A Formação E O Desenvolvimento De Equipes Alinhadas À Cultura Organizacional

Visando contribuir com entendimentos que informem sobre como a formação de equipes de trabalho alinhadas com a cultura organizacional pode ser um fator de competitividade para as empresas, a partir deste e, pelos próximos 13 posts, apresento o artigo do estudo realizado como requisito para conclusão da Pós-Graduação em Administração de Recursos Humanos, pela Universidade Federal do Ceará-UFC, sob orientação do Professor Dr. Marcos Antônio Martins Lima, cujo título é “A FORMAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DE EQUIPES ALINHADAS À CULTURA ORGANIZACIONAL: ESTUDO DE CAMPO REALIZADO NA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO CEARÁ-FIEC”.

Para uma compreensão mais didática, segue abaixo, todas as partes do artigo:

  1. Apresentação
  2. Resumo do Estudo
  3. Introdução ao Estudo
  4. Conceito de Cultura Organizacional
  5. Dimensão da Cultura Organizacional nas Instituições
  6. Tipologias da Cultura Organizacional
  7. Desenvolvimento de Equipes nas Instituições
  8. Abordagem Teórica da Cultura Organizacional
  9. A Importância da Cultura Organizacional
  10. Problematização e Pesquisa
  11. O universo da pesquisa
  12. O método de pesquisa
  13. A análise dos dados na pesquisa
  14. Considerações finais
  15. Referências bibliográfica da Pesquisa

Monografia: Wittgenstein E O Significado Da Palavra No Uso Da Linguagem

A linguagem é a forma através da qual se dá, da mesma maneira que nos sistemas de informática, a configuração de todos os mecanismos de construção de simbolismos, significados, fala e escrita através dos quais nos utilizamos para nos comunicar de forma “intra” e “extra” cultural, com pessoas humanas, com animais e até mesmo com as máquinas.

Assim, visando contribuir com entendimentos que ajudem a compreender e dominar para melhor interagir nos nossos infinitos processos de interação, a partir deste e, pelos próximos 15 posts, apresento o artigo do estudo realizado como requisito para conclusão da Graduação em Filosofia (Licenciatura Plena), pela Universidade Estadual do Ceará-UECE, sob orientação da Professora Dra. Cristiane Maria Marinho, cujo título é “WITTGENSTEIN E O SIGNIFICADO DA PALAVRA NO USO DA LINGUAGEM”.

Para uma compreensão mais didática, segue abaixo, todas as partes do artigo:


Currículo Profissional

Nome: RICARDO LIMA DA CUNHA

Contato: e-mail

Analista de Departamento de Pessoal com 16 anos de experiência no setor, com amplo conhecimento em legislação trabalhista (Folha de Pagamento, Férias, Rescisão, Admissão, Demissão, INSS, FGTS, IRRF, RAIS, DIRF, CAGED, eSocial). Contribuiu para o alcance de metas importantes como: 1) processo de distrato social das empresas terceirizadas e 2) implantação do Sistema de ERP, ocasião em que ajudou a integrar os processos do seu setor com os das áreas relacionadas.

► Sistemas: Totvs RM Labore, Protheus, Excel (intermediário), Sefip, GPS eletrônica, SAP.

  • Administração de Empresas ( Graduação / Uni Ateneu / Conclusão: 2022);
  • Administração de Recursos Humanos ( Especialização / UFC / Conclusão: 2011);
  • Técnico em Contabilidade (Ensino Médio Profissionalizante / Esc.Dep.Paulo Benevides / Conclusão: 1996);
  • Filosofia ( Graduação / UECE / Graduação: 2010).
CURSOCHINSTITUIÇÃOTÉRMINO
Escola de Consultores66 h/aGomes de Matos Consultores Associados06/2018
Instrutor de Curso60 h/aEmpro04/2018
Excel Intermediário60 h/aFaculdade CDL07/2017
Empretec (empreendedorismo)60 h/aSebrae-CE06/2017
eSocial c/Foco na Legislação Trabalhista16 h/aFortes Educação05/2017

Sociologia das Organizações: Aprendizagem em EAD

A Sociologia das Organizações estuda o comportamento das pessoas que interagem com a empresa nos mais variados aspectos. Seja o empregado, o Patrão e/ou o Cliente. Mas também diz respeito as inovações e a forma como o consumidor se relaciona com ela. Educação EAD é uma delas:

A Educação a Distância (EAD) é considerada, segundo o decreto Decreto-Lei n° 2.494, de 10/2/1998 como, “uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados (…)”. A legislação em EAD, atual, mostra avanços significativos, mas não temos a intenção de acompanhar o crescimento histórico da presente modalidade de ensino, e sim, perceber através, de práticas uma superação de valores, atitudes dando significado ao fazer Educação a Distância.

O cenário atual da EAD vem passando por transformações a partir de um contexto de mudanças de valores, em que a diversidade cultural é presente, tendo um significado maior em sua contextualização, de saberes e conhecimentos, assumindo um papel importante na sociedade vigente, na qual a globalização gera uma necessidade de comunicação e informação sem fronteiras.

A sociedade vigente caracterizada pela seletividade e dualismo pode restringir a EAD em vários pontos, que por uma legislação específica, podemos entendê-la como meio para inclusão, na qual visa a partir de um espaço interativo, troca de saberes em que deve ser potencializada competências que possam garantir a formação de um cidadão atuante na presente sociedade. Portanto devemos construir parcerias a partir de uma discussão, que norteiem um fazer EAD comprometido com suas reais necessidades, as quais venham legitimar sua prática.

Em âmbito geral, levando em consideração as mudanças que veem acontecendo em nossa sociedade, podemos entender a EAD como uma modalidade de ensino que tem suas peculiaridades, na qual sua proposta pedagógica deverá ser rediscutida no que se refere à modalidade à distância, em que seu referencial de fazer educação não seja, parcialmente, anulado.

O avanço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) provocou mudanças significativas em fazer EAD, logo foi criando corpo, hoje, está presente em todos os setores, em particular, sua presença no sistema educacional faz com que reflitamos sobre pontos inerente à educação, como: didática, metodologia, avaliação, planejamento, dentre outros pontos relevantes.

Consideramos as atividades presenciais na EAD como complemento de um processo de ensino-aprendizagem, na qual não deverá ser tida como prioridade para avaliar, porém somada as diferentes realidades em que a EAD se apresenta.

Sabemos que sua proposta é significativa no que diz respeito a fazer educação de forma efetiva. Mesmo de forma consciente, autônoma, interativa, comprometida com a formação continuada, na qual dará oportunidade a sociedade um espaço de formação, de troca e meio à inclusão para uma educação para todos, encontramos distorções que inviabilizam o processo educacional à distância.

A definição de EAD como uma proposta inclusiva ainda precisa ser repensada como educação para o futuro, em que sua proposta não deve ser vista como saída para uma educação justa, mas como momento inerente ao que vivemos, hoje, no qual é um processo árduo, que precisa superar suas limitações a partir de uma legislação repensada não no moldes que já temos, porém condizente ao momento em que estamos, propondo um significado crítico-reflexivo ao que queremos.

As questões importantes, levantadas no presente artigo, sobre tal tema, podem ser consideradas como caminho para uma educação inovadora a partir de uma roupagem caracterizada pela interatividade e não-linearidade, em que se apresenta não como saída para uma educação de qualidade, mas complementar a que temos, modalidade presencial, para uma educação justa.

De acordo com Litwin (2001), a EAD é considerada como uma modalidade de ensino com características específicas, caracterizando-se pela utilização de uma multiplicidade de recursos pedagógicos, objetivando a construção do conhecimento, na qual apresenta excelentes possibilidades da modalidade para a educação permanente.

O primeiro ponto que discutiremos é a mediação como princípio educacional que requer superação de limitações, as quais surgem a partir de desafios inerentes ao meio. Os desafios se apresentam com um significado pertinente a construção da aprendizagem, surgem num espaço de desequilíbrio, nos quais expectativas são afloradas desencadeando necessidades para a atuação de um indivíduo, quer flexível. Os termos mediação e desafio estão relacionados ao que se refere às potencialidades necessárias à superação de entraves que possam surgir ao nos depararmos num mundo de transformações constantes.

A mediação surge como meio viável à intervenção necessária para propiciar credibilidade ao ousar no desconhecido. O mediador deve está preparado para proporcionar um ambiente de desequilíbrio à realidade do indivíduo sem subestimá-lo, percebendo a partir de um diagnóstico prévio suas reais necessidades.

O processo de ensino aprendizagem quer presencial ou à distância requer um espaço interativo, confiável, onde a reciprocidade na construção do conhecimento é fundamental. Considerando a mediação enquanto princípio educativo, podemos viabilizar o processo no que se refere a sua potencialidade. A mediação como princípio educacional vem ressignificar a prática docente, em particular, na EAD a presença de um espaço de mediações promove as competências do tutor a um significado de valores inerente a sua atuação.

Um outro ponto é a abordagem de aprendizagem, de acordo com Costa Lins, Ribeiro e Neves (2004), as teorias comportamentais “… são teorias calcadas nas características de indivíduos ou de espécies de indivíduos, e que dão pouquíssima ou nenhuma atenção às condições socioculturais de vida desses mesmos indivíduos. O núcleo comum dessas teorias é a ênfase dada aos comportamentos modificados, se bem que as suas formas de obtenção sejam peculiares a cada um”.

Portanto consideramos a importância de registrarmos as contribuições dos estudos de Pavlov, Skinner e Bandura no que se refere aos critérios que legitima a aprendizagem: aquisição, retenção e transferência, para exemplificarmos se há aprendizagens que podem ser explicadas através da abordagem comportamental e se há outras que não podem.

Ivan Pavlov fundamenta sua teoria por meio do estímulo condicionado, a aquisição se dá pelo condicionamento respondente; a retenção é fraca e a transferência é tida como ponto negativo em sua teoria, não há aprendizagem significativa, conhecida como condicionamento clássico.

Skinner fundamenta sua teoria por meio do condicionado operante, a aquisição é fácil e rápida; a retenção não é forte e a transferência é pouco presente. O reforço é uma característica fundamental.

Albert Bandura fundamenta sua teoria por meio do condicionado social, a aquisição se faz de modo indireto; a retenção não é muito grande e a transferência será reduzida, conhecida como aprendizagem vicariante.

Diante da apreciação feita acima acerca da construção do conhecimento, segundo os principais nomes das teorias comportamentais, há aprendizagens que podem ser explicadas a partir do condicionamento, ponto chave para fundamentação nas presentes teorias. Um exemplo clássico é o uso de códigos para se comunicar, usamos símbolos fictícios que constituam o nosso alfabeto, o reforço é fundamental para que possamos fixar e/ou apreender, com um tempo sem reforço será inevitável esquecer, fazendo uma analogia à simbologia matemática, a interação se faz presente através da contextualização e dos requisitos inerente a potencialidades ao que se refere o conhecimento matemático, características das teorias cognitivas.

De acordo com Costa Lins, Ribeiro e Neves (2004), as teorias cognitivas “… se caracterizam por apresentar a aprendizagem como resultante de um processo de construção”.

Portanto consideramos a importância de registrarmos as contribuições dos estudos de Gestalt, Jean Piaget, Jerome Bruner, Lev Vygotsky e Howard Gardner no que se refere aos critérios que legitima a aprendizagem: aquisição, retenção e transferência, para destacarmos aspectos das abordagens de aprendizagem que são úteis na prática do professor/tutor.

Gestalt fundamenta sua teoria na percepção, a aquisição, ou seja, a aprendizagem ocorre por meio de relações estruturadas; a retenção, como a aprendizagem é conservada, se dá pela observação da permanência e na sua reutilização, e a transferência possibilita uma comunicação entre diversas estruturas anteriores e as novas situações.

Jean Piaget fundamenta sua teoria por meio da interação do sujeito (homem) com o objeto (meio-físico-social), a aquisição está relacionada com processo de equilibração; a retenção considera o inconsciente cognitivo e a transferência considera as suas aprendizagens anteriores, a partir de novas situações.

Jerome Bruner fundamenta sua teoria por meio da intuição, a aquisição está relacionada com a percepção; a retenção, com a disponibilidade do conteúdo intuído a uma categoria para sua utilização e a transferência a partir de novas intuições.

Lev Vygotsky, apresenta uma teoria psicológica sociocultural do desenvolvimento, a aquisição acontece por meio da mediação simbólica; a retenção confere a cada conteúdo um significado e a transferência é uma constante.

A abordagem sociocultural enfatiza aspectos sócios-políticos-culturais, tendo forte vínculo com a cultura popular. Todos os seres humanos são homens concretos, situados no tempo e no espaço, inseridos num contexto histórico.

O homem chegará a ser sujeito através da reflexão sobre seu ambiente concreto, quanto mais ele reflete sobre a sua própria condição concreta, mais se torna progressiva e gradualmente consciente, comprometido a intervir na realidade para mudá-la.


Fonte:

Por Rodiney Marcelo
Especialista em Educação a Distância (SENAC)
Colunista Brasil Escola

Coeficiente – Porque decidi criar um blog?

Inicialmente, a ideia era falar apenas de temas relacionados à minha área de atuação, que é Departamento de Pessoal (Folha de Pagamento e suas rotinas). Ocorre que, ao iniciar a faculdade de Administração de Empresas, o leque se abriu e hoje trato de todos os temas que considero importantes para quaisquer profissões. Há dois objetivos específicos por trás desta iniciativa: 1) ajudar as pessoas e 2) estratégia de recolocação.

A escolha do nome:

“Numa operação matemática, coeficiente é o termo que multiplica.”

E, falando em multiplicar, foi imbuído deste espírito que embarquei na aventura de compartilhar conteúdos úteis à construção de entendimentos que auxiliem às pessoas a agir de forma mais eficaz sobre as circunstâncias na sua vida laboral.

Quem sou Eu?

Meu nome é Ricardo. Sou formado em Filosofia, especializado em Administração de Recursos Humanos, estou cursando Administração de Empresas, atuo como Analista de Folha de Pagamento e quando surge oportunidade, como Auditor de Departamento de Pessoal.

Interesses?

Tenho interesse em participar de projetos dentro e fora da minha área de atuação.


Sociologia das Organizações: O Marketing na relação com o Cliente

A Sociologia das Organizações estuda o comportamento das pessoas que interagem com a empresa nos mais variados aspectos. Seja o empregado, o Patrão e/ou o Cliente. Todos dizem respeito a forma como a instituição é e a forma como quer ser vista. Veja:

“Cliente Insatisfeito: como reverter isso e aumentar a fidelização”

No artigo de hoje eu vou começar com uma pergunta direta… Você sabe o que realmente deixa um cliente insatisfeito? Com toda certeza você já deve ter se perguntado como está a reputação da sua empresa em relação ao serviço prestado. Ou não? Pois bem, não existe algo que afete mais a reputação do que a insatisfação de um cliente e você deve saber disso!

A qualidade do serviço que é oferecido ao seu cliente sempre foi uma parte muito importante para a fidelização da empresa. Ao invés de esperar que não existam reclamações você deve, como um bom gestor, aceitar que elas sempre irão existir. Porém, para que ela não te prejudique é preciso promover melhorias para reverter a insatisfação do seu cliente.

Devido a internet está cada dia mais fácil para os clientes prestarem a sua satisfação (ou pior, a sua insatisfação) para com a empresa, por meio de canais e redes de comunicação, como o reclame aqui.

Você já olhou se a sua empresa está no reclame aqui?

Justamente por isso que o gestor precisa cada vez mais de ferramentas que o ajudem a acompanhar os serviços prestados pela equipe, mesmo que ele não possa ir em todos os clientes. E quando o atendimento já foi concluído e o seu cliente está insatisfeito com alguma coisa? Já pensou em alguma estratégia para prevenir ou reverter esse tipo de situação? O cliente insatisfeito sempre tem reclamações. Esteja ciente delas!

É muito importante estar atento a todas as reclamações, afinal, muitas críticas podem ser construtivas e você só conseguirá diminuir os clientes insatisfeitos, se achar soluções para esses problemas (críticas).

Aqui vão dicas importantes:

  1. Ouça o seu cliente:

A primeira coisa que você faz quando há um problema a ser resolvido é ouvir e entender o que está acontecendo a partir de outra perspectiva, não é mesmo? Aqui não vai ser diferente, ouça as críticas e tente entender o ponto de vista do seu cliente.

PS: Lembre-se, sempre, de ter o máximo de profissionalismo possível e não leve nada para o lado pessoal. Em seguida, pergunte ao seu cliente o que lhe faria feliz diante dessa situação. Assim você tem a chance de de reverter a insatisfação do cliente.

2. Dê a atenção necessária

Quando você possui um cliente insatisfeito, um ponto que pode causar irritação é tratá-lo com descaso. Por isso, na medida do possível, dê aos seus clientes uma atenção personalizada. Faça sua equipe mostrar, durante todo o atendimento, que se preocupa com a experiência que o cliente tem com aquele momento. Afinal, lembre-se que um excelente serviço pode transformar clientes insatisfeitos em defensores da sua empresa e disseminadores dos seus serviços.

3. Desculpe-se

A partir do momento em que você passa a reconhecer a insatisfação do seu cliente, um pedido de desculpas não seria nada mau. Por isso, peça desculpas e procure argumentar, se possível, alguma forma de mudança que ele deseja ver. Dessa forma você mostra que, realmente, entendeu o que aconteceu, reconheceu o erro e está disposto a mudanças. E assim, consequentemente, o cliente insatisfeito se sentirá a parte mais importante do seu negócio, o que não é uma mentira.

Bom, como você deve ter percebido, reverter a insatisfação do cliente não é algo simples ou fácil, por isso vamos focar por um momento na prevenção.

Antes que a insatisfação aconteça:

Antigamente, quando alguém não era bem atendido, eles contavam para as pessoas mais próxima sobre a experiência que tiveram e tudo acabava ali. Hoje não é mais assim, graças a internet, smartphones e redes sociais. Agora um cliente insatisfeito pode atingir milhares de pessoas com a sua crítica, além do mais existem sites especializadas apenas em registrar as queixas dos clientes. Por isso, certifique-se de que a sua empresa não esteja presente com reclamações.

Você consegue prevenir a insatisfação do cliente antes mesmo do serviço ser finalizado, sabe como? Evitando o retrabalho. Vou te explicar como!

O retrabalho nada mais é do que refazer algum parte do serviço, ou ele todo, por conta de algum erro que poderia ter sido evitado. Para evitá-lo, independente do segmento da sua empresa, você pode fazer coisas simples como:

Planejar antecipadamente tudo aquilo que ser feito e repassar isso com o seu colaborador. Mantenha uma boa comunicação com toda a sua equipe, saiba das suas dificuldades e procure, sempre, manter as suas Ordens de Serviço organizadas. (Dessa forma o seu colaborador não se perde no que deve ser feito). Ter um time bem capacitado para atender os seus clientes também é muito importante, por isso designe as tarefas corretas para os colaboradores corretos, e invista em treinamentos.

Faça o seu cliente se sentir ouvido

Agora imagine que o seu colaborar saiu para realizar um serviço externo e ao voltar não sabe te informar se o cliente ficou, realmente, satisfeito com o que foi feito. E agora? Se você está se perguntando como fazer isso e entender a insatisfação do seu cliente, e assim, fidelizá-lo de vez, eu te dou uma dica: se prontifique a realizar uma pesquisa de satisfação do cliente. É aqui que você pode utilizar a pesquisa de satisfação do cliente para medir a eficiência e a satisfação do serviço realizado. Além disso, essa pesquisa te dá métricas, a partir de números reais, sobre a satisfação do seu cliente.

PS: A pesquisa ajuda sim pequenas empresas com a fidelização e o aumento da satisfação do cliente, mas com uma demanda maior, o melhor a se fazer é utilizar dos recursos de um sistema de gestão eficiente. Você sabia que se responder um cliente insatisfeito tentando reverter o problema a qualquer custo, possivelmente ele ficará mais chateado? Sendo assim, se a insatisfação do cliente é algo que você pode evitar, não perca tempo e comece agora mesmo!

Fidelização = Serviço de qualidade = Indicações

Apesar dos seus melhores esforços, ainda assim os erros acontecem quando se trata de clientes? Não se preocupe tanto assim, afinal até as maiores companhias sofrem com a insatisfação do cliente. A grande diferença é que eles fidelizam os clientes e revertem essa situação. A melhor forma de fazer isso é ter uma boa qualidade na prestação de serviços da sua empresa. Vem comigo e veja algumas formas de fidelizar seu cliente insatisfeito:

Resolva o problema de forma rápida e indolor.

É uma boa opção para manter o contato com seus clientes após fechar uma venda, por exemplo, assim você encoraja eles a falarem sobre o problema ao invés de desistirem do seu produto. Outra maneira poderosa de fidelizar os clientes é realizando revisões regulares com eles. Dessa forma você tem a liberdade para fazer as perguntas e tem a oportunidade se certificar que o seu cliente não esteja insatisfeito com a sua empresa. Prove o valor que o seu produto possui para o cliente, para que, ele perceba a necessidade do mesmo para a empresa. Fazendo isso você agrega valor naquilo que oferece, o seu cliente percebe isso e a situação de insatisfação pode ser revertida.

Aproveite as críticas para evoluir!

Mesmo depois de concluir todas as etapas e aproveitar as dicas de fidelização do seu cliente o trabalho ainda não acabou. Lembre-se que os clientes insatisfeitos são uma ótima forma de fornecimento de informações honestas sobre a sua empresa para você melhorar cada vez mais! Após cada reclamação individual que você atende, as chances de reduzir os potenciais problemas aumenta. Você pode tomar alguma providência antes mesmo que o problema venha a acontecer ou piore. Problemas comuns de clientes podem revelar onde a sua empresa precisa trabalhar para melhorar e dar um norte para que você possa continuar desenvolvendo um bom serviço.

Muito bom, não é mesmo?

Ao ouvir verdadeiramente os seus clientes insatisfeitos, você pode gerar o resultado mais agradável. Ah, e melhor ainda, você pode transformar uma experiência negativa em uma oportunidade de gerar mudanças e fazer a sua empresa crescer. Agora que você já sabe como reverter a insatisfação de um cliente, aproveite as dicas e compartilhe conosco as suas impressões e experiências sobre nós!


Fonte:

DIFERENÇA ENTRE CUSTO E DESPESA

Entender a diferença entre custo e despesa é mais que uma simples preocupação com a nomenclatura, possibilitando ao gestor o tratamento eficiente de seus gastos. Antes de iniciarmos na definição desses conceitos, é importante entendermos que custos, despesas e investimentos estão todos dentro do grupo de gastos.

Gasto

É qualquer tipo de desembolso financeiro, dispêndio ou sacrifício que uma organização, pessoa ou governo faz para adquirir um produto ou serviço. Exemplos: compra de matéria-prima, pagamento de mão de obra, compra de móveis, etc.

O desembolso indica o pagamento decorrente de um gasto. Representa a saída efetiva do caixa para o pagamento. O desembolso pode ocorrer antes, durante ou depois do gasto.

Investimento

É um gasto cujos benefícios serão colhidos em um período futuro. Um investimento gera suporte tecnológico, estrutural ou operacional em função da utilidade futura. Exemplos: aquisição de máquinas e equipamentos, móveis, ferramentas, etc.

Pode ser um gasto ativado em função de sua vida útil, como a troca do motor de um carro.

Despesa

É um gasto relativo à manutenção de atividades operacionais e obtenção de receitas, sem vínculo com a produção. Envolve bens ou serviços consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas. Exemplos: comissão de vendas, folha de pagamento do pessoal administrativo (contabilidade, finanças, vendas). Na DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), o “Custo das Mercadorias Vendidas” representa, na verdade, as despesas.

Para o autor Eliseu Martins, o correto deveria ser “Despesas das Mercadorias Vendidas”. As despesas podem ser classificadas em:

a) Despesas Variáveis: 

São restritas às despesas com vendas, pois variam de acordo com o volume de vendas, podendo ser facilmente apropriadas aos produtos. Exemplo: comissão paga a vendedores.

b) Despesas Fixas: 

São as despesas resultantes do processo administrativo e financeiro da empresa e que não variam de maneira proporcional ao volume de vendas. Exemplo: salários do pessoal administrativo, telefone.

Custo

É um gasto relativo a um bem ou serviço utilizado na produção de outros bens e serviços. Está relacionado à produção. Exemplos: compra de matéria-prima, energia elétrica da fábrica, etc.

Os custos podem ser classificados em:

a) Custos Diretos e Indiretos: 

envolvem a relação entre custo e produto fabricado. Custos Diretos podem ser diretamente apropriados ao produto, como mão de obra direta. Já os Custos Indiretos precisam de rateio para a alocação a um determinado produto, como o custo com energia.

b) Custos Fixos e Variáveis: 

Estão relacionados ao volume de produção. Custos Fixos são aqueles que permanecem constantes dentro de determinada capacidade produtiva instalada, independente das oscilações na produção, como aluguel e salário do diretor de produção. Já os Custos Variáveis se alteram em função da produção, crescendo de acordo com o aumento das atividades produtivas, como matéria-prima e embalagens. Além dos gastos apresentados, temos outra classificação: as perdas.

São bens ou serviços consumidos de forma anormal e involuntária, fora do processo rotineiro da empresa. São imprevistos e não representam sacrifícios feitos com intenção de obtenção de receita. Exemplo: perdas com incêndios, desabamento, atentados, gasto com mão de obra durante um período de greve, obsoletismo de estoques, etc.

Em caso de dúvida quanto à classificação de um bem, fale com seu contador!


Fonte:

CONFERÊNCIA DOS IMPOSTOS NA COMPRA

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Quando um fornecedor emite uma nota fiscal, nela, já são destacados os valores dos impostos que incidem sobre a operação de compra.

conferência dos impostos é importante para confirmar sua autenticidade e alinhamento ao regime tributário do fornecedor para recuperação correta dos impostos e prestação de conta ao fisco.

Essa tarefa não é tão fácil, já que o sistema tributário brasileiro é muito amplo pelo seu grande número de tributos (impostos, contribuições e taxas). Os impostos variam de acordo com:

  • a modalidade, valor e percentual conforme o órgão do governo a que se destina (federal, municipal e estadual);
  • o regime tributário (lucro real, lucro presumido ou simples);
  • a atividade da empresa (serviços, indústrias, comércio etc.);
  • o tipo de produto/serviço.

Quanto à classificação dos impostos:

  • Recuperável: o imposto é pago quando o produto é adquirido pela empresa, podendo ser recuperado na venda através de créditos na escrita fiscal.
  • Não recuperável: são aqueles que a empresa não tem direito a creditar.
  • Calculado por “dentro”: é um imposto que integra a sua própria base de cálculo, ou seja, o percentual do imposto é aplicado sobre o preço de venda e não sobre o custo do produto/serviço. No preço de compra ou de venda do bem ou do serviço já está embutido o valor do imposto.
  • Calculado “por fora”: o calculo é feito com base no preço de custo sem imposto.
  • Tributos em cascata: é a incidência de um mesmo tributo, na cadeia produtiva, por mais de uma vez. Além disso, cada empresa pode ter suas particularidades, esteja sempre alinhado com seu contador.

Principais Impostos na Nota Fiscal

De maneira geral, são cinco os principais impostos que devem ser conferidos no recebimento da nota fiscal de compra:

1) ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza): imposto recolhido pelos municípios e Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços feita por empresas ou profissionais autônomos. Suas alíquotas variam entre 2% e 5% sobre o preço do serviço prestado. Identifique os percentuais cobrados por seu município entrando em contato com a prefeitura de sua cidade ou com seu contador

2) IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): imposto federal recolhido pela União. Como sua alíquota varia de acordo com o produto, saiba mais sobre esses percentuais acessando a TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), nos Links Relacionados.

3) ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação): imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal, sua alíquota varia de acordo com a determinação de cada Estado e os tipos de transações interestaduais. Verifique quais são os percentuais cobrados por seu Estado entrando em contato com a Secretaria da Fazenda Estadual ou com seu contador.

4) PIS/Pasep (Programa de Integração Social / Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público): é uma contribuição social de  ordem federal que serve para dar segurança ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), financiando o pagamento do seguro-desemprego, abono salarial e participação na receita dos órgãos e entidades para os trabalhadores públicos e privados. Sua base de cálculo é o faturamento do mês, assim entendido a receita bruta total. Veja os Links Relacionados e saiba mais a respeito.

5) COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade): é uma contribuição federal que incide sobre a receita bruta mensal das empesas na venda de bens e serviços, destinada a financiar a seguridade social, ou seja, consiste num conjunto de políticas sociais que abrange a previdência social, a saúde e a assistência social, cujo fim é amparar e assistir o cidadão e a sua família em situações como a velhice, a doença e o desemprego. Saiba mais nos Links Relacionados.

Quanto se tratar de um fornecedor cuja empresa é optante pelo regime de tributação denominado Simples Federal, a maioria dos impostos (IRPJ, CSLL, PIS/PASEP, COFINS, IPI, ICMS, ISS e a Contribuição para a Seguridade Social Patronal) são convertidos em uma única alíquota, de acordo com a faixa de faturamento e a atividade de cada empresa. Conheça, nos Links Relacionados, a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vá até o final da página e acesse os anexos de I a V para conhecer a alíquota destinada a cada segmento empresarial.

É importante ressaltar que, na nota fiscal de entrada, estarão inclusos os impostos da empresa que emitiu a nota conforme o enquadramento fiscal dela. Assim, a conferência do valor dos impostos é dependente do enquadramento fiscal do fornecedor. Restando ainda quaisquer dúvidas quanto aos impostos e suas formas de cálculos, é importante esclarecê-las com o contador de sua empresa.

Tipos de Produtos/Serviços

Por fim, outra questão importante na definição dos valores tributáveis é o tipo de produto adquirido por sua empresa ou serviço contratado. Para essa identificação, temos dois códigos importantes que são exigidos por lei nas notas fiscais, quando das entradas e saídas de mercadorias e bens e da aquisição de serviços:

CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações das Entradas de Mercadorias e Bens e da Aquisição de Serviços): código numérico que identifica a natureza de circulação da mercadoria ou a prestação de serviço de transportes e de comunicação. É por meio dele que é definido se a operação fiscal terá ou não que recolher impostos.

NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul): código que identifica a natureza das mercadorias e promove o desenvolvimento do comércio internacional, além de facilitar a coleta e análise das estatísticas do comércio exterior. A identificação do código da NCM não se restringe às obrigações acessórias, pois é essencial na identificação de diversos tributos, de tal maneira que seu o enquadramento incorreto na NCM pode levar tanto ao recolhimento a maior, quanto a menor de tributos, levando, neste caso, a cobrança de multa.

Veja as formas de execução dessa tarefa e em quais situações elas são recomendadas: 

Exemplo:

Sônia é responsável pelo recebimento das mercadorias na empresa em que trabalha e também pela conferência das informações constantes na nota fiscal.

Dessa forma, além da comparação física ela também faz a checagem fiscal, conferindo cuidadosamente cada tributo informado na nota fiscal recebida, identificando se eles estão alinhados com o regime tributário do fornecedor e confirmando se os tributos destacados são realmente devidos, seus percentuais e valores recolhidos.

Como seu fornecedor utiliza NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) e sua empresa trabalha com um sistema integrado de gestão (ERP), essa tarefa exige de Sônia pouco esfoço operacional.

Assim que ela recebe o arquivo gerado por seu fornecedor no software nacional de emissão da NF-e, seu sistema integrado reconhece o arquivo recebido em extensão .XML e faz, automaticamente, todas as comparações com as informações dos tributos relativos a esta transação, conforme informado anteriormente no pedido de compra.

Havendo alguma divergência nessa comparação, seu sistema indica as incompatibilidades para que ela verifique as incoerências e faça as devidas alterações, caso a caso. Esse procedimento torna-se muito simples e rápido, já que todas as informações digitadas anteriormente foram aproveitadas, economizando tempo e deixando a cargo de Sônia apenas a correção das divergências, quando acontecerem.

Tratando-se de sistema integrado, com apenas essa informação, todas as demais operações ligadas a ela também são atualizadas automaticamente como: entrada das mercadorias recebidas no estoque, provisão de pagamentos no financeiro, atualização da contabilidade, entre outros.

* A reprodução e distribuição desse conteúdo serão permitidas desde que se faça a citação ao portal MahaGestão. É proibida qualquer alteração em seu conteúdo original ou uso para fins comerciais.


Fonte:

Tiago Mattos – Vai lá e faz!

“Como empreender na era digital e tirar ideias do papel”

Pra quem empreende, o espírito empreendedor está associado a muitos princípios que indicam ação. O empreendedor é, por natureza, um ser colaborativo, dotado de capacidade de iniciativa e ama compartilhar o que tem e o que sabe.

Empreendedor não é todo aquele que simplesmente que abre uma empresa, que funda uma startup ou que desenvolveu um aplicativo capaz de revolucionar um ramo de atividade.

Na verdade, é a soma de tudo isso e muito mais. Há pessoas que têm muitos desses atributos, outras têm poucos e algumas, nenhum. Mas, o mais importante aqui é a atitude empreendedora, o impulso criativo/construtivo e a capacidade de organizar as ideias e tirá-las do papel.

Nesse sentido, há empresários que não são empreendedores e empreendedores que não são empresários. Entre os empreendedores, há idealistas, capitalistas, oportunistas, etc. e tal. Mas, para efeito desta análise, não importa com que se identificam ou o que os motiva. O que importa é que todos querem fazer a diferença na vida de alguém.

E fazer a diferença não está relacionado com o desejo de mudança apenas, mas também com o desejo de melhorar algo que pode ser melhorado, de criar algo que produza impacto positivo no universo a sua volta e/ou no mundo. O empreendedor nato se alimenta da concretização do seu impulso criativo/construtivo.

Empreender é sempre desafiador, ainda mais na era digital, que exige muito mais capacidade de resposta e visão de futuro, dada a efemeridade das coisas. Nesse sentido, uma das sacadas mais legais do livro, é ver que o autor se preocupou em compreender a história da tecnologia e que ele a vislumbra tanto numa perspectiva local quanto global e, o mais importante, que a aceita como imprescindível para a realização de toda a cadeia produtivo-construtiva no intervalo compreendido entre o “agora” e o “devir”.

Neste ponto, introduz-se o conceito de futurismo, que é um termo muito usado de uns anos pra cá, mas ainda pouco difundido entre todos aqueles que não são do ramo.

Futurista é todo aquele que é dotado de capacidade de projetar cenários possíveis entre as diversas variáveis mercadológicas, dentre as quais, destaca-se a econômica. Tiago Mattos é, nesse sentido, um dos nomes mais difundidos entre os empreendedores da geração que ora vivemos, dada a sua visão clara e nível de profundidade no tema.

Por essas e outras, o livro tem a sagacidade de exercer críticas aos modelos tradicionais de aprendizagem/trabalho, ao mesmo tempo em que oferece insights que ajudam a quebrar com o engessamento dos mesmos. Aqui, o autor alerta para a necessidade de romper com esses modelos e de democratizar esses conhecimentos para que a sociedade possa evoluir em sua totalidade.

Tiago nos ajuda a ver que o mercado começa a repudiar naturalmente muitas práticas intrínsecas a estes modelos e a perceber que somente pelo abandono destas velhas práticas, pessoas e organizações poderão se manter relevantes para o mercado num futuro já próximo.

Essa capacidade de enxergar e de se antecipar às intempéries do devir é o produto da reflexão que – suponho – Tiago espera que façamos. Ela pode e deve ser feita do aspecto mais particular para o mais geral, ou seja, da realidade individual para a coletiva e da local para a global, sem deixar de olhar para os lados e de contemplar os muitos aspectos do processo construtivo/produtivo.

Paralelamente, a ação [de ir lá e fazer] deve ser precedida de outro tipo de reflexão – a ética. Neste momento o leitor pode se perguntar: porque é necessária tal reflexão? A resposta é simples e diz respeito a pelos menos dois pontos relevantes:

1) Autocrítica, que é o conhecimento de si mesmo (das potencialidades e das fraquezas);
2) Circunstancial, que se refere a situar-se em relação às próprias práticas e sobre as quais se pretende inovar.

Mas há o motivo óbvio, que provavelmente não precisaria citar por se tratar do fato de que ninguém pode sair por aí fazendo o que quer sem que esta ação seja livre de conseqüências.

Já que falamos em inovar, o tema Inovação é justamente o favorito de Tiago, por isso, o autor reserva mais espaço para o mesmo. Individualmente, a capacidade de produzir inovação está diretamente ligada ao “mindset”(termo que em português significa “modelo mental”) e se refere a “configuração  mental” de cada um. Dessa forma, para estimular o pensamento inovador, somam-se todas as experiências do indivíduo (interação com pessoas e coisas), pois cada aspecto influencia na atitude empreendedora de uma forma específica – daí a importância do auto conhecimento.

Havendo organizado as próprias ideias, fica muito mais fácil para quem deseja empreender, tirá-las do papel, tocar o próprio projeto e obter êxito.

No entanto, é preciso ter em mente que na vida, a única constante é a mudança, por isso, é muito importante ter disposição e informação para produzir impactos na vida pessoal ou nas organizações. Todos os dias conceitos mudam ou deixam de existir e, nesse contexto, tudo permanece inacabado, em processo de reconstrução ou de ressignificação.

Se você acredita que pode impactar positivamente a vida de alguém num grupo, numa comunidade ou numa empresa, não deixe de ler este livro. Paralelamente, busque desafiar-se sempre que possível. Encontre formas de aprender coisas que ajudem a manter a mente aberta e use suas vivências pessoais para melhorar algo com o qual atua ou se identifica.

O livro é didático na medida da complexidade do tema. Mas a leitura e prazerosa e estimulante. E, apesar de todos os tópicos relacionador e dos parênteses abertos (e por mais estranho que isso possa parecer), a mensagem mais importante que ele passa é curta e simples: quer fazer alguma coisa/qualquer coisa? Vai lá e faz!

Nota: 9/10


Autor: Tiago Mattos;
Editora: Belas Letras;
Ano: 2017;
Páginas: 320.

Caso VARIG: um estudo prático dos institutos da recuperação judicial e da falência

RESUMO: A Varig foi uma das mais bem sucedidas empresas brasileiras do ramo de aviação, a qual, todavia, no decorrer dos anos 80 e 90, passou a enfrentar sérios problemas financeiros, o que, em 2005, culminou no início de um processo de Recuperação Judicial. Tal processo, entretanto, não alcançou o êxito de restaurar a estabilidade financeira da empresa, motivo pelo qual, no ano de 2010, a Varig teve sua falência determinada. Uma vez que a Varig foi a primeira empresa brasileira a ter sua recuperação judicial processada em conformidade com a Lei 11.101/05, é pertinente fazer um estudo do citado caso, vez que através da sua análise é possível verificar a aplicação dos ditames legais que regem a recuperação empresarial e o processo falimentar no ordenamento jurídico brasileiro. Assim, o presente trabalho se propõe a, traçando um histórico daquela que um dia foi a maior companhia aérea do Brasil, demonstrar como se dá a aplicação da Lei 11.101/05 em um caso concreto, salientando a importância da manutenção da atividade empresarial, pois esse é o paradigma que rege a busca pela recuperação judicial das empresas, sendo a falência a última ferramenta a ser utilizada, vez que esta implica a extinção empresarial. 

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Palavras- chave: Varig; Recuperação judicial; Falência.

SUMÁRIO: INTRODUÇÃO. 1. O PROCESSO FALIMENTAR NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO E A LEI Nº 11.101/05. 2. A HISTÓRIA DA VARIG. 3. O PROCESSO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA VARIG. 4. A FALÊNCIA DA VARIG. CONCLUSÃO. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

 INTRODUÇÃO

A Varig, companhia criada no ano de 1927, foi uma das maiores e mais importantes empresas aéreas do Brasil, tendo como razões do seu crescimento a forma requintada com que tratava o seu cliente, bem como o intenso treinamento técnico e humano dos seus funcionários.

A empresa viveu sua época de ouro do fim dos anos 60 até o fim dos anos 70, superando a crise do petróleo, e se firmando no mercado internacional. Porém, a partir de meados dos anos 80, a Varig passou a ser intensamente afetada pelas mudanças político-econômicas ocorridas no Brasil, bem como pelas sucessivas falhas em seu setor administrativo, o que acabou por culminar naquilo que seria o início de uma grande crise econômico-financeira.

Por mais que tentasse se recuperar da situação de colapso financeiro, a Varig, no ano de 2005, ingressou em juízo com pedido de recuperação judicial, que teve seu processamento deferido no dia 22 de junho de 2005. Assim, a Varig foi a primeira grande empresa que teve o processamento de sua recuperação judicial em conformidade com a então nova Lei 11.101/2005. Cerca de cinco anos após ter iniciado a sua recuperação judicial, a Varig, não conseguindo superar a sua situação de insolvência, requereu em juízo a decretação de sua falência.

Com base nisto, o presente trabalho irá abordar a aplicação prática da Lei 11.101/05, a Lei de Recuperação Empresarial e Falência, tendo como base o estudo do caso da Varig. Desta forma, serão analisadas as inovações trazidas pela aludida Lei, observando as mudanças de paradigma no instituto da falência, bem como será feita uma breve exposição da história da Varig, demonstrando como se deu a aplicação prática da Lei de Recuperação Empresarial nos processos de recuperação judicial e falência desta empresa.

1. O PROCESSO FALIMENTAR NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO E A LEI Nº 11.101/05

O desenvolvimento econômico, cada vez mais acentuado com a inovação industrial e com o incremento de novas formas de produção, traz consideráveis mudanças na conjuntura socieconômica mundial, salientando a importância da atividade empresarial na sociedade contemporânea. Empresas em operação geram emprego, fortalecendo a economia do local em que estão instaladas, bem como, ao passo que fornecem às comunidades produtos e serviços, sustentam e suprem as necessidades humanas.

Neste contexto, a paralisação e a extinção de empresas insolventes através da decretação de sua falência possui efeitos desvantajosos: pessoas perdem seus empregos e, como conseqüência, suas fontes de renda, e há, ainda, a interrupção na produção e no fornecimento de bens e serviços necessários àqueles que deles usufruem. Assim, é mais benéfico, em grande parte das vezes, que estas empresas permaneçam em atividade, uma vez que desta forma podem vir a recuperar-se e a manter em operação seus trabalhos, contribuindo para a estabilidade e para o progresso socioeconômico.

A insolvência da empresa não deve mais ser vista apenas como uma patologia dos devedores desonestos: para além disso, a insolvência deve ser encarada como um evento comum à atividade empresarial, o qual exige a adoção de medidas que conduzam a empresa até sua total recuperação. Frente a esse paradigma, foi exigido que, em prol da manutenção da operação comercial, houvesse a revisão dos institutos do direito falimentar, o que culminou na elaboração da Lei 11.101//05. Tal norma consagrou a recuperação judicial como um instrumento processual capaz de guiar a gestão das empresas insolventes a favor da restauração total delas, deixando a falência apenas para aquelas realmente irrecuperáveis.

Foi com base no princípio da preservação da empresa, o qual consagra a função social da atividade empresarial, que pontos relevantes do direito falimentar foram alterados pela Lei 11.101/2005, como a substituição da figura da concordata pelo instituto da recuperação judicial. De acordo com o art. 47 da referida lei,

“Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.”

Assim, em homenagem ao princípio da preservação da empresa, a nova lei concede às empresas em crise a oportunidade de reverter esta situação por meio da recuperação judicial, mantendo sua atividade econômica.

Todavia, caso a empresa esteja em uma situação de crise irreversível, ou caso a recuperação mostre-se de difícil consecução, conforme as hipóteses do art. 73 da Lei 11.101/05, não restará outra alternativa que não decretar a falência da empresa devedora. A falência é, pois, um instituto do regime jurídico empresarial que figura como uma execução especial para os devedores empresários em situação de grave insolvência. No processo falimentar, todos os credores são reunidos em concurso em um mesmo processo de execução contra a empresa insolvente. Segundo Fábio Ulhoa Coelho, a regra do concurso de credores na execução da empresa insolvente serve para evitar a injustiça, baseando-se na par conditio creditorum, ou seja, no tratamento paritário dos credores.[1]

Em busca da perpetuação de suas atividades em um momento de crise financeira, no ano de 2005 a empresa aérea Varig S.A. teve deferido o processamento de sua recuperação judicial, sendo a primeira empresa brasileira a ser objeto de um processo de recuperação em conformidade com a então nova Lei 11.101/05. Todavia, vez que a empresa não conseguiu se recuperar, foi decretada no ano de 2010 a falência daquela que um dia foi a maior companhia aérea do país. Desta forma, através do estudo do caso da Varig é possível analisar a aplicação prática dos institutos da recuperação judicial e da falência conforme a disciplina da Lei 11.101/05.

2. A HISTÓRIA DA VARIG

A Viação Aérea Rio Grandense, a Varig, foi fundada no dia 7 de maio do ano de 1927, em Porto Alegre, sendo a primeira empresa aérea brasileira. Deu início às suas atividades operando a pequena rota que ficou conhecida como “Linha da Lagoa”, ligando Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande.

No ano de 1933, a Varig já operava em quase todo o estado do Rio Grande do Sul, demonstrando um crescimento em ritmo acelerado, aumentando não apenas a sua frota, mas também o seu prestígio entre as autoridades e o público em geral. Em 1942, a empresa aérea inaugura sua primeira rota internacional, ligando Porto Alegre a Montevidéu. Em 1965, com a falência da Panair, então empresa aérea brasileira com maior malha internacional, a Varig assume as linhas da ex-concorrente para a Europa.

Muito embora a crise do petróleo no início dos anos setenta tenha sido um golpe muito forte para as empresas aéreas, a Varig conseguiu superá-la, fechando o ano de 1973 como uma das empresas mais lucrativas do mundo, vivendo sua “época de ouro”. Todavia, no final de 1982, o governo brasileiro pede ajuda ao Fundo Monetário Internacional, o que causou a interrupção dos financiamentos por parte dos bancos norte-americanos, obrigando a Varig a assinar um contrato em Yen com a Orient Leasing do Japão. A desvalorização do dólar frente à moeda japonesa, bem como a desvalorização do cruzeiro prejudicaram demasiadamente a empresa, decorrendo disso os seus os primeiros problemas financeiros: as viagens internacionais sofreram um decréscimo enorme, e a taxa de ocupação dos vôos caiu vertiginosamente.[2]

A mudança do panorama político brasileiro no ano de 1985, bem como os congelamentos de preço dos Planos Cruzado I e II no ano de 1986 ajudaram a piorar o quadro financeiro da Varig, a qual começou a ter problemas de liquidez. Nesse quadro, a empresa passou a ter que vender seu patrimônio para cobrir suas despesas, realizando operações para aumentar o dinheiro em caixa, como as de sale and lease back ( acordo comercial pelo qual a propriedade é, simultaneamente, vendida e alugada de volta ao proprietário[3]).

Nos anos seguintes o quadro não melhorou: a economia brasileira estava em colapso, e a sucessão de planos econômicos mal- sucedidos que tentavam conter a inflação só pioravam a situação. As companhias aéreas foram extremamente impactadas com a forte intervenção governamental nas políticas de reajustes tarifários, a exemplo dos congelamentos das tarifas executados no governo Sarney. Com essas medidas, o custo para voar era mais alto do que o valor da tarifa fixado pelo governo, o que gerou para a Varig um prejuízo estimado em R$ 6 bilhões, segundo cálculos realizados pela empresa até o ano de 2014. A empresa ingressou com ação contra a União a fim de receber a devida indenização em decorrência do aludido dano, a qual transitou em julgado no ano de 2014, determinando o STF o pagamento da devida indenização, valor que será usado para o pagamento de dívidas trabalhistas individuais e com o fundo de previdência Aerus, que reúne ex-funcionários e aposentados pela Varig.[4]

No início dos anos 90, o quadro econômico da empresa não melhorou: com a política liberalizante, implementada no governo Collor, o mercado internacional ficou sendo disputado entre a Varig, a Vasp e a Transbrasil. A isso se soma a entrada de grandes empresas aéreas norte-americanas no mercado brasileiro, como a American, Delta e Continental Airlanes, as quais passaram a ser concorrentes diretas da Varig. Ainda assim, a empresa aérea buscava renovar-se, investindo no crescimento da frota. Todavia, todo esse quadro econômico ocasionou uma queda considerável no patrimônio líquido da Varig, o qual em 1986 era avaliado em US$ 867 milhões e, em 1993, era de US$86 milhões.

Em 1997, a empresa apresentou uma tímida recuperação sob o comando de Fernando Pinto, entrando oficialmente para a Star Alliance[5] no mesmo ano. Porém, em 1999, diante de uma nova superdesvalorização do real em relação ao dólar, e, conseqüentemente, uma queda nas viagens internacionais, a empresa volta a enfrentar mais uma crise financeira. No fim do ano de 2000, a Varig apresentava um patrimônio líquido negativo estipulado em meio bilhão de reais.

Não era só o quadro econômico da época que influenciava a recessão financeira da Varig: a empresa enfrentava problemas em sua administração, que, muito embora tentasse recuperar a empresa, não conseguia fazê-lo. Em 2002 houve uma proposta de empréstimo de cerca de R$ 400 milhões por parte do BNDES, mas a Fundação Ruben Berta (FRB), órgão controlador da Varig, negou-se a assinar o memorando, acabando com a possibilidade de negociação. Soma-se a isso o crescimento da concorrente TAM Linhas Aéreas e o surgimento da GOL, as quais apresentavam ao mercado um novo modelo de gestão, embasado na redução de custos.

No início do governo de Luís Inácio Lula da Silva houve a implementação de um plano de ajuda ao setor aéreo brasileiro, tendo o governo incentivado a formação de um acordo entre Varig e TAM, para a promoção de uma fusão, sendo a proposta oficializada pelo protocolo de entendimentos assinado pelo presidente da Varig em fevereiro de 2003. Os funcionários da Varig não receberam bem a notícia do acordo, o que gerou uma onda de manifestações nos aeroportos brasileiros.

O acordo chega ao fim em maio de 2005, uma vez que era difícil implementar a fusão diante da frágil situação da Varig, bem como das diferenças de gestão e “cultura” entre as duas empresas. No mesmo ano a Varig cancela parte de suas rotas, e perde participação no mercado doméstico, sendo ultrapassada pela Gol.

Com dívidas estimadas no valor de R$ 7 bilhões, no dia 17 de junho de 2005, a Varig S.A., a Rio Sul Linhas Aéreas e a Nordeste Linhas Aéreas, empresas do mesmo grupo, entram com pedido de recuperação judicial. No dia 22 de junho do mesmo ano, o juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro defere o processamento da recuperação judicial das companhias, suspendendo todas as ações e execuções ajuizadas contra elas. A Varig foi uma das primeiras grandes companhias a ter sua recuperação judicial processada conforme a Lei nº 11.101/2005, sendo um caso de grande notoriedade.

3. O PROCESSO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA VARIG

Com o intuito de resolver a situação de crise de sua empresa, e de superar a insolvência sem precisar interromper suas atividades, o empresário que exercer regulamente suas atividades há mais de 2 anos, e que atender aos demais requisitos elencados no art. 48 da Lei 11.101/05, pode ir a juízo requerer a sua recuperação judicial. Geralmente, o pedido de recuperação judicial é feito antes de algum credor pedir a falência do devedor: uma vez o empresário notando o início de uma crise em sua atividade, este já vai a juízo requerer sua recuperação. Todavia, salienta-se, é possível que o pedido de recuperação seja feito no prazo de contestação ao requerimento de falência, ou seja, após um credor pedir a falência do devedor.

Muito embora a lei não faça previsão a respeito, tem-se admitido o litisconsórcio ativo na recuperação judicial quando as sociedades empresárias autoras pertençam ao mesmo grupo econômico e atendam aos requisitos exigidos no art. 49 da Lei 11.101/05. Isso se deve ao fato de que, em havendo um grupo econômico de direito ou de fato, é possível prever que se uma das empresas vier a falir e a ter suas atividades encerradas, isso será nocivo à atividade da outra empresa participante do mesmo grupo. Neste sentido, a Varig S.A., a Rio Sul Linhas Aéreas e a Nordeste Linhas Aéreas, empresas do mesmo grupo econômico, ingressaram com pedido de recuperação judicial em litisconsórcio, no dia 17 de junho de 2005, sendo a petição inicial distribuída para a 8ª Vara Empresarial da Capital do Rio de Janeiro.

Muito embora a Varig fosse uma sociedade empresária sediada em Porto Alegre, observa-se que o seu pedido de recuperação foi distribuído no Rio de Janeiro. Isso se deve à regra do art. 3º da Lei 11.101/05, a qual estabelece que o pedido de recuperação deve ser feito no foro do principal estabelecimento do devedor. Assim, uma vez que a empresa aérea tinha o seu maior volume de negócios concentrado no Rio de Janeiro, tendo neste local o seu principal estabelecimento do ponto de vista econômico, é este o foro competente.

Fora os requisitos de legitimidade ativa expostos no art. 48, a empresa devedora deve, ainda, atender a outras condições formais e materiais exigidas na Lei. Neste sentido, o art. 51 da Lei 11.101/05 exige que petição inicial seja instruída com determinados documentos, a exemplo da relação de credores, das demonstrações contábeis e relatórios referentes aos 3 últimos exercícios, a relação de seus empregados, os documentos societários, a exposição de motivos que levaram a empresa ao estado de insolvência, dentre outros. Na ação de recuperação judicial em análise, foi designada pelo juízo a empresa Exato Assessoria Contábil para examinar se os requisitos contábeis exigidos pelo art. 51 foram devidamente atendidos, designando, ainda, a empresa Cysneiros Vianna Advogados Associados para acompanhar os trabalhos da perícia, nomeando-lhe administrador judicial.

Caso a inicial não esteja devidamente instruída, faltando-lhe algum documento exigido na Lei, o juiz deve, a princípio, intimar a empresa requerente para que esta emende a inicial. Neste sentido, no caso Varig, após a perícia realizada para examinar os requisitos contábeis, o laudo indicou “pendentes de juntada complementar ou regularização os documentos apontados no corpo do próprio laudo, todos, acrescente-se, suscetíveis de atendimento”. Assim, o juiz da causa proferiu despacho determinando a manifestação dos autores acerca desses documentos, os quais procederam com a apresentação desses posteriormente.

Uma vez estando devidamente instruída a petição inicial, o art. 52 da Lei 11.101/05 estabelece que o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial. Assim, o juiz, após realizar um juízo sumário de cognição, defere o processamento da recuperação, atestando que a empresa atendeu aos requisitos exigidos na lei. Ressalta-se que isso não significa que houve a concessão da recuperação judicial, mas tão somente que foi dada à empresa requerente a oportunidade de ter a sua ação processada. Em 22 de junho de 2005, foi proferida decisão deferindo o processamento da recuperação judicial da Varig, nos seguintes termos:

 “Isto posto, considerando presentes e atendidos os requisitos exigidos pelo artigo 51, da Lei nº 11.101, de 09.02.05, ratifico a nomeação da empresa CYSNEIROS VIANNA ADVOGADOS ASSOCIADOS como ADMINISTRADOR JUDICIAL, conforme fls. 1.659, (1) defiro o processamento da recuperação judicial; (2) determino a dispensa da apresentação de certidões negativas para que as devedoras exerçam suas atividades, exceto para a contratação com o Poder Público ou para o recebimento de benefícios ou incentivos fiscais creditícios, acrescendo, em todos os atos, contratos e documentos firmados pelas autoras, após o respectivo nome empresarial, a expressão “em Recuperação Judicial”; (3) ordeno a suspensão de todas as ações ou execuções contra as devedoras, na forma do art. 6º da mesma lei, tudo nos exatos termos do item III do respectivo art. 52; (4) determino às devedoras a apresentação de contas demonstrativas mensais enquanto durar a recuperação judicial, sob a sanção da lei; (5) ordeno a intimação do Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas Federal e todos os Estados e Municípios em que as devedoras tiverem estabelecimento, conforme elas próprias também informarão no mesmo prazo de 48 horas acima referido; (6) determino, finalmente, a expedição de edital para publicação no órgão oficial, que conterá os requisitos dos três itens do § 1º do mesmo art. 52. P.R.I. RIO DE JANEIRO, 22 DE JUNHO DE 2005. ALEXANDER DOS SANTOS MACEDO. JUIZ DE DIREITO.”

Do trecho da decisão em destaque é possível perceber que o juiz adotou as medidas descritas nos incisos do art. 52, como nomear o administrador judicial, que vai fiscalizar de perto a empresa durante a recuperação; ordenar a suspensão de todas as execuções ou ações contra a empresa devedora, entre outras medidas.

Após publicada a decisão que defere o processamento do pedido de recuperação, a empresa devedora terá sessenta dias para apresentar em juízo o seu plano de recuperação, sob pena de ter decretada sua falência. Este plano deverá ser elaborado de forma cuidadosa, uma vez que é de extrema importância para o eventual sucesso do pedido de recuperação, não sendo ele uma mera formalidade. Segundo o art. 53, o plano deverá conter:

“I – discriminação pormenorizada dos meios de recuperação a ser empregados, conforme o art. 50 desta Lei, e seu resumo;

 II – demonstração de sua viabilidade econômica; e

 III – laudo econômico-financeiro e de avaliação dos bens e ativos do devedor, subscrito por profissional legalmente habilitado ou empresa especializada”

Em seu plano de recuperação judicial, a Varig S.A., a Rio Sul e a Nordeste, além de atentar ao estabelecido em lei, destacaram a relevância sócio-econômica das companhias para o país, salientando que elas constituem “a maior empresa aérea de transporte de passageiros do Brasil, com uma participação média de 58% dos passageiros transportados durante os últimos cinco anos, sendo de 84% no mercado internacional e 36% no doméstico”, sendo responsáveis pela geração de muitos empregos e renda. Também, relatam as causas que contribuíram para a situação de crise da empresa, apresentam a classificação dos credores e o valor devido a cada classe, bem como estruturam o plano de recuperação da seguinte forma: plano de reestruturação operacional (que inclui o planejamento de rede e frota; vendas, distribuição e marketing; manutenção e engenharia, operações de vôo, etc), e plano de reestruturação financeira (que envolve formação de consórcio, capitalização e recuperação das companhias, venda de ativos, reestruturação das obrigações financeiras, etc), sempre traçando medidas de longo e curto prazo. Uma das medidas mais notórias proposta no plano, foi a de criar uma Nova companhia, que funcionaria como uma Unidade Produtiva Isolada, para a qual seria transferida parte dos negócios das três companhias, o que, segundo alegava o plano, viabilizaria a obtenção de dinheiro novo.

Depois que a empresa devedora apresenta o seu plano de recuperação judicial, o juiz ordenará a publicação de edital para fins de notificar os credores do recebimento do plano. Cabe a estes últimos analisar o plano e decidir se o devedor deve ter a concessão da recuperação ou não. Assim, poderão os credores apresentar objeções ao plano no prazo de trinta dias, contados da publicação da relação preliminar de credores que o administrador judicial elaborará.

Se nenhum credor interpuser objeções aos termos do plano de recuperação judicial, haverá uma aprovação tácita do deste. Todavia, se for apresentada alguma objeção por parte de qualquer credor, o juiz deverá convocar a assembléia-geral de credores para deliberar sobre o plano de recuperação, nos termos do art. 56 da Lei 11.101/05.

No caso em análise, foram apresentadas objeções ao plano de recuperação, convocando-se assembléia de credores para deliberação. O plano foi aprovado em 19 de dezembro de 2005, sendo objeto de Detalhamento, o qual foi aprovado pela Assembléia Geral de Credores em 23 de fevereiro de 2006.

O art. 58 da Lei 11.101/05 dispõe que, uma vez aprovado o plano pela Assembleia Geral de Credores, o juiz concederá a recuperação judicial. Proferida esta decisão, o credor fica em recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações previstas no plano que se vencerem em até 2 anos depois da concessão da recuperação. Todavia, frisa-se que, durante este tempo, não é proibida a modificação do plano de recuperação judicial aprovado pelos credores. Isso porque o quadro econômico da atividade empresarial sofre mudanças constantemente, o que pode implicar na necessidade de adaptação do plano. Caso seja necessário realizar mudanças no plano, deve ser convocada nova Assembléia de Credores com o fim de deliberar sobre as modificações.

Neste sentido, em 09 de maio de 2006 as Companhias propuseram aos credores, reunidos em Assembléia Geral de Credores, a alteração do Plano anteriormente aprovado, objetivando que fosse autorizada a alienação judicial de uma das unidades operacionais isoladas da Varig, tudo isso em razão da queda acentuada do faturamento das companhias.

A Varig é arrematada por 24 milhões de dólares, no dia 20 de julho de 2006, pela VRG Linhas Aéreas, empresa pertencente ao grupo da Varig Log, ex-subsidiária da Varig, a qual houvera sido vendida para o Grupo TAP em janeiro de 2006. Logo depois, no dia 28 de março de 2007, a Gol Linhas Aéreas compra, por um valor de 275 milhões de dólares, o controle da Varig. Disto surgiu a fusão da Gol com a VRG, e a divisão da Varig em duas empresas: a VRG Linhas Aéreas, que passa a ser a “nova” Varig, e a Flex Linhas Aéreas S.A..

No dia 01 de setembro de 2009, o juiz da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decretou o encerramento da recuperação judicial das companhias, afirmando que, durante os dois anos de consecução do plano de recuperação, houve o cumprimento do plano e das obrigações correlatas, tudo nos termos do art. 63 da Lei 11.101/05. Determinou, ainda, que em 15 dias fosse apresentado pelo administrador judicial relatório da execução do plano, bem como que, em 30 dias, fosse realizada prestação de contas. A sentença não transitou em julgado, havendo renúncia do Gestor eleito pelos credores na forma do art. 65, sendo nomeado em fevereiro de 2010 novo Administrador e Gestor Judicial.

4. A FALÊNCIA DA VARIG

Como já foi dito anteriormente, a falência se desenvolve como uma execução especial, na qual todos os credores são reunidos em concurso, com o objetivo de executar conjuntamente a empresa devedora. Neste sentido, a falência tem natureza jurídica híbrida, ao passo que ora se apresenta como norma processual, ora se apresenta como norma material. Ao mesmo tempo em que regula a execução concursal do devedor empresário, o que demonstra o seu caráter processual, a legislação falimentar também regula os efeitos da decretação da falência em relação aos bens e aos contratos, por exemplo, apontando um caráter material.

Diante da crise econômico-financeira, não sendo mais vislumbrada a possibilidade de uma recuperação viável, resta requerer em juízo a falência. Esta envolverá um procedimento de liquidação do patrimônio do empresário ou sociedade empresária insolvente, passando-se, pois, a realizar o seu ativo e, com os valores apurados, saldar o patrimônio passivo.[6]

São três os pressupostos da falência: a qualidade de empresário do devedor, o seu estado de insolvência, e a decretação de falência por meio de sentença. A chamada fase pré-falimentar vai do pedido de falência até a sua decretação por meio de sentença. Conforme ensina Ricardo Negrão, o procedimento pré-falimentar tem natureza cognitiva, na qual, sumariamente, o magistrado irá conhecer os fatos trazidos pelo autor e, ao final, decretará ou não a falência do devedor.[7]

O sujeito passivo do pedido falência é o empresário ou a sociedade empresária, nos termos do art. 1º da Lei 11.101/05. Já o sujeito ativo, nos termos do art. 97 da Lei 11.101/05, pode ser: o próprio devedor; o cônjuge sobrevivente, o herdeiro do devedor ou o inventariante; o cotista ou acionista do devedor; ou qualquer credor.

É extremamente raro, na prática, que o próprio devedor requeira a sua autofalência, muito embora a lei, em seu art. 105, imponha ao devedor em crise econômico- financeira o dever de requerer a sua própria falência, expondo as razões de impossibilidade de prosseguimento da atividade empresarial e instruindo a petição com os documentos exigidos no aludido dispositivo. A doutrina destaca que a lei não prevê nenhum tipo de sanção à empresa em crise que deixar de requerer ao juízo sua falência[8]. Todavia, na sentença de decretação de falência da Varig, a juíza salientou que há o dever de requerer a falência, sob pensa de responsabilização dos administradores da sociedade,na forma do art. 82 da Lei.

Neste sentido, a própria Varig S.A., neste momento chamada Flex, a Rio Sul Linhas aéreas e a Nordeste linhas aéreas, representadas pelo Administrador Judicial, também Gestor Judicial, requereram a sua autofalência, ante a grave situação de insolvência pela qual passavam. Alegaram que, mesmo após o período de recuperação judicial, as companhias não conseguiram se recuperar, operando sempre em prejuízo. O próprio gestor judicial reforçou que não vislumbrava nenhuma possibilidade de superação da situação de crise, não restando outra saída que não a decretação da falência.

Muito embora tenham sido realizadas alienações de ativos da Varig, transferência de controle das sociedades VarigLog e Vem, bem como a alienação judicial de unidade produtiva, dentre outras medidas visando a recuperação da empresa, não se conseguiu ultrapassar a crise econômico- financeira da Varig/Flex.

Como já dito acima, para ter o pedido de falência decretado é essencial que se demonstre o estado de insolvência da empresa. O art. 94 da Lei 11.101/05 aponta sistemas determinantes da insolvência: estado patrimonial deficitário, que é a insuficiência do ativo do empresário para saldar o passivo; a cessação de pagamentos, que gera a presunção de insolvibilidade; a impontualidade, que é o não pagamento injustificado de determinada obrigação líquida no seu vencimento; e a prática de atos de falência, enumerados no inciso II do art. 94, e taxados no inciso III do mesmo dispositivo.          

Nota-se, desta forma, que mesmo tratando-se de pedido de autofalência, ainda assim é necessário que a empresa demonstre que está em situação de insolvência, fazendo jus ao procedimento falimentar. Isso se deve ao fato de que empresas devedoras, mas não insolventes, possam deliberadamente pedir falência para não pagar da forma devida determinados credores, configurando verdadeira fraude de credores.

Assim, o Gestor judicial, ao alegar a insolvência da Varig, dentre outros argumentos, informou atrasos no pagamento dos salários dos operadores dos serviços de rádio, que, inclusive, tinha ameaçado entrar em greve. Afirmou que isso ameaçava a prestação desses serviços, e que, caso paralisados esses, haveria a interrupção do tráfego aéreo nas estações que orientam os pilotos nas decolagens e pousos.

A intervenção do Ministério Público no processo de falência, bem como na fase pré-falimentar, é tema de grandes debates, uma vez que a lei não obriga, diretamente, a participação do parquet  no trâmite da falência. Todavia, conforme vêm entendendo a jurisprudência, “a decretação da falência tem efeitos graves na economia, sendo necessário e imprescindível que o Ministério Público, como fiscal do fiel cumprimento da lei, seja chamado a opinar antes da sentença.”[9]

Destarte, conforme orientação do art. 189 da Lei 11.101/05, em consonância com os artigos 81 a 85 do Código de Processo Civil, o Ministério Público foi chamado para dar parecer em relação ao pedido de falência da Varig, o qual opinou pela decretação da falência, e pela concessão de autorização para que o Administrador Judicial paralisasse a prestação dos serviços das rádios, bem como que se procedesse com a locação dos equipamentos para a permissionária escolhida pelo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, conforme requerido pelo Gestor Judicial.

De acordo com o art. 75 da Lei 11.101/05, “a falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa”. Deste trecho, destacam-se dois princípios que regem o Direito falimentar: a preservação da empresa, e a maximização dos ativos.

Na sentença de decretação de falência da Varig é notória a preocupação com a preservação da atividade empresarial, uma vez que a própria juíza afirma que “as requerentes desempenham duas atividades empresariais que, se paradas abruptamente, trarão desvalorização do ativo e, principalmente, colocarão em risco a atividade empresarial de terceiros e a segurança do trânsito aéreo”. As referidas atividades são as de prestação de serviços de treinamento de aeronautas, e a prestação de serviços de comunicação por meio de estação de rádio.

A decretação da falência da empresa devedora não significa, necessariamente, o fim da atividade empresarial por ela exercida: a atividade pode, por exemplo, ser continuada sob a responsabilidade de outro empresário, se o estabelecimento empresarial do devedor for vendido, nos termos do art. 140, I da Lei 11.101/05. Neste sentido, a juíza da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, na sentença que decretou a falência da Flex (antiga Varig), determinou que esta continuasse operando os serviços de comunicação por meio de estações de rádio, por um período de duas semanas. Isso com o objetivo de não causar interrupção do tráfego aéreo e desvalorização dos ativos. Depois desse período, a juíza determinou que a atividade seria transferida para a empresa de aviação Trip Linhas Aéreas S.A.. Ainda, determinou que, mesmo após a falência, deveriam ser continuados os serviços de treinamento de aeronautas, para não causar desvalorização dos ativos, nem prejuízos a terceiros e ao público consumidor.

Isso objetiva preservar e otimizar a utilização produtiva dos ativos, dos bens e dos recursos produtivos da empresa falida. Desta forma, quando no curso do processo de falência forem vendidos os bens da empresa, será mais fácil de conseguir interessados em adquirir o estabelecimento empresarial, obtendo um preço justo por este, angariando dinheiro que será utilizado para o pagamento dos credores, promovendo, assim, a maximização dos ativos.

Caso o pedido de falência seja julgado procedente, uma vez que atende aos pressupostos legais, e caso durante o prazo de contestação não tenha havido o depósito elisivo, ou seja, não tenha a empresa devedora procedido com o depósito do valor correspondente ao total do crédito cujo não pagamento gerou impontualidade ou execução frustrada, será proferida sentença decretando a falência da empresa devedora, instaurando, assim, o processo de execução concursal do empresário falido. No caso Varig, a sentença decretando a falência da empresa aérea foi proferida no dia 20 de agosto de 2010.

Atendendo ao exigido no art. 99, II, da Lei 11.101/05, a sentença que decretou a falência da Varig apresentou termo legal de falência no nonagésimo dia anterior ao primeiro protesto por falta de pagamento. A fixação de tal termo é de extrema importância, uma vez que este “estabelece o espaço de tempo imediatamente anterior à declaração da falência dentro do qual os atos eventualmente praticados pelo falido são considerados suspeitos de fraude”.[10]

Em respeito aos incisos III e IV do art. 99, a juíza determinou que deveria ser aproveitado o quadro de credores da recuperação judicial, marcando, ainda, o prazo de 15 dias para os credores apresentarem suas habilitações de crédito. Já em consonância com o inciso VI, do art. 99, proibiu a juíza a prática “de qualquer ato de disposição ou oneração de bens da falida e daqueles que estão também sob os efeitos da falência, ressalvados os bens inerentes a atividade de comunicação por rádio categoria ‘A’”. Também, determinou que fossem realizadas as publicações e comunicações previstas no art. 99, VIII, X, XIII e parágrafo único da Lei 11.101/05.

Em cumprimento ao estabelecido no inciso IX do art. 99, a juíza nomeou como administrador judicial a Licks Contadores Associados, representada por Gusta Licks, grupo que já era Administrador Judicial na recuperação judicial, tendo a sentença apenas mantido este na função. O administrador judicial é de fundamental importância no processo de falência. Ele auxilia o juiz, exercendo diversas atribuições de cunho administrativo que a lei lhe confere, bem como representando legalmente a massa falida subjetiva, que é a comunidade de credores que se instala com a decretação da falência, e procedendo com a arrecadação dos bens do devedor falido.

A Fundação Ruben Berta, controladora da Varig/Flex, entrou com agravo em face da sentença que decretou a falência da empresa aérea, nos termos do art. 100 da Lei 11.101/05. Desta forma, cerca de um mês após ser decretada a falência, esta foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, até que fosse apreciado o recurso.[11]

Após ser decretada a falência por meio de sentença que tem natureza constitutiva, é instaurado um novo regime jurídico aplicável ao devedor, o qual trará repercussões a toda sua esfera patrimonial e jurídica[12]. Depois de sua edição, a pessoa, os bens, os atos jurídicos e os credores do empresário falido são submetidos a um regime jurídico específico, diverso do regime geral do direito obrigacional, sendo gerados uma série de efeitos.[13] Dentre esses efeitos, destaca-se a formação da massa falida objetiva, ou seja, a arrecadação de todos os bens do devedor, com exceção dos absolutamente impenhoráveis.

Durante o processo falimentar ocorrerá a chamada realização do ativo, nos termos do art. 139 da Lei 11.101/05, que consiste, de forma simplória, na venda dos bens da massa falida. Os valores conseguidos a partir da venda desses bens serão utilizados para o pagamento dos credores habilitados no processo. Assim, no presente momento, o processo de falência da Varig continua em andamento, sendo realizados diversos Leilões com o fim de vender os bens da massa falida, tudo conforme o art. 142 da Lei 11.101/05.

CONCLUSÃO

O momento de crise é encarado, atualmente, como um acontecimento comum à atividade empresarial. A recuperação de uma empresa insolvente demanda planejamento, estratégia, e atuação dos administradores da empresa de comum acordo com os seus credores, não sendo uma tarefa fácil.

 A preservação da atividade empresarial deve ser vista como uma prioridade, uma vez que o encerramento dessa acarreta sérias conseqüências para toda a sociedade, já que a empresa é fonte de renda e de trabalho, bem como geradora de riquezas para todo o país, de certa forma. Por esta razão, a Lei 11.101/05 trouxe como novidade a possibilidade de a empresa requerer em juízo a sua recuperação judicial, promovendo a quitação das suas dívidas sem precisar interromper suas atividades.

 Todavia, caso a recuperação judicial mostre-se inviável, estando a empresa em uma crise irreversível, não haverá outra saída senão requerer a decretação da falência da empresa. Nesta, haverá a execução da massa falida, a fim de promover o pagamento dos débitos na medida do possível, atuando os credores em verdadeiro concurso.

A Varig passou cerca de 5 anos em recuperação judicial, implementando uma série de medidas com o fim de pagar os valores devidos aos seus credores, executando plano de recuperação devidamente aprovado em Assembléia Geral de Credores. Porém, no ano de 2010, a própria empresa requereu sua falência, alegando que estava em um estado de insolvência irreversível.

Através da análise da história da Varig, bem como dos seus respectivos processos de recuperação judicial e falência, é possível ver como as circunstâncias político- econômicas de um país podem influenciar a atividade empresarial, seja positiva ou negativamente. No presente caso, a Varig chegou a uma crise econômico- financeira em decorrência não só de falhas no seu setor administrativo e gerencial, mas também em conseqüência dos planos econômicos implementados nos governos a partir dos anos 80, bem como em razão da desvalorização da moeda brasileira em comparação ao dólar, dentre outros fatores.

Apesar dos esforços despendidos para que a Varig se recuperasse, não foi possível fazer com que esta voltasse ao estado de solvência. Desta forma, restou a falência àquela que um dia foi uma das maiores empresas brasileiras, processo falimentar este que ainda encontra-se em processamento.


Fonte:

Eugênio Mussak – Gestão Humanista De Pessoas (2010)

“O Fator Humano Como Diferencial Competitivo”

NOTA: 9/10.

Os estilos de liderança em todas as épocas – inclusive, hoje – sempre se basearam na autoridade. Esta, por sua vez, pode ser instituída por meio do conhecimento, do poder ou da forma de relacionar-se com os demais. Todavia, não há unanimidade quanto a estilos e formas de liderança, pois praticamente todos os comportamentos são baseados em vivências e realidades individuais e, assim sendo, a única forma de exercer uma liderança legítima sob a maior  quantidade de aspectos é conhecendo a alma humana. E isto é para poucos.

O autor parte da premissa de que as pessoas não são controláveis, mas são lideráveis. Essa diferença não é sutil, é radical, ainda que seja tão mal compreendida por todos aqueles que praticam gestão de pessoas. O projeto habilita-se a equacionar essa diferença com firmeza e didática. Peter Drucker disse que “o futuro da gestão se confundirá cada vez mais com a capacidade dos gestores de entenderem da alma humana”.

Nesse sentido, vocação e talento são componentes isoladas do espectro do líder verdadeiro. Se o objetivo das empresas é gerar resultados e se esse resultado na maioria das vezes é percebido pela rentabilidade e lucro, as pessoas são o meio pelo qual o lucro é possível de ser realizado e potencializado. Sendo assim, a despeito dos movimentos de recessão a políticas de austeridade, o significado e o papel mais belo da gestão de pessoas é atrair e manter os melhores talentos, desenvolvendo-os e estimulando-os a enfrentar os desafios com alegria e vontade de superá-los.

O livro nos oferece um pouco da história da gestão de pessoas, o papel da liderança, do clima e cultura empresarial, os instrumentos de gestão de carreira, do conhecimento e do tempo, além das tendências e desafios da área.

Aqui temos um material articulado com poder de estimular para a ação e, sobretudo para reflexão, aqueles que se acostumaram a conviver com as preocupações, ansiedades, dúvidas e necessidades diárias do ato de gerir pessoas. Nada precisa nem deve ser dolorido, apenas conhecido.


Autor: MUSSAK, EUGENIO;
Editora: ELSEVIER EDITORA;
Ano: 2010;
Nº de Páginas: 300.

Fela Moscovici – Equipes Dão Certo

“A multiplicação do talento humano”

Nota: 9/10.

A autora Fela Moscovici é mestre em psicologia social pela Universidade de Chicago (EUA) e especialista em consultoria organizacional no NTL – Institute of Applied Behavioral Science (EUA). Fela também foi professora de cursos de graduação e pós-graduação da Escola Brasileira de Administração Pública (Ebap) e do Centro de Pós-Graduação de Psicologia Aplicada (CPGPA) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Atualmente é consultora de empresas e atua nas áreas de desenvolvimento interpessoal, de executivos, de equipes e organizacional.

SOBRE O LIVRO:

O livro é dividido em três partes: idéias, ações e experiências. A autora aborda a idéia de que o futuro pertence a organizações baseadas em equipes e não apenas em grupos organizacionais, diferenciando durante a obra, as características entre grupos e equipes. Grupos existem em toda a parte e os membros trabalham juntos; equipes, porém, são bem mais do que isso. Uma equipe alia o desejo de realização do indivíduo, seja profissional ou pessoal, à vontade de buscar o objetivo comum. Em uma equipe deve haver comunicação entre os membros, estímulo a opiniões divergentes, capacidade de assumir riscos, confiança, respeito, mente aberta e cooperação.

Segundo Fela, na vida em grupo é impossível não haver conflitos ao existir escassez de recursos para satisfazer todas as necessidades, desejos e afetividades. O conflito, no entanto, é uma dinâmica interpessoal com conseqüências positivas ou negativas. Existem dois conjuntos de táticas para lidar com conflitos: as de luta/fuga e as de diálogo. Embora o fato das táticas de luta/fuga serem muito usadas, elas não promovem melhoria de relacionamento, nem resultados satisfatórios na resolução de conflitos. Já a tática de diálogo que inclui também apaziguamento, negociação, confrontação e resolução de problemas, permite descobrir alternativas de controle de conflito.

A autonomia de uma equipe vai desde prover simples sugestões até trabalhar como unidades autogerenciadas, exigindo esforço motivacional e confiança na continuidade trazendo compensações significativas. Obstáculos e dificuldades também estão presentes em grupos, como por exemplo, a resistência. A resistência a mudanças tem de ser reconhecida e não tratada como negativa, ela pode ser uma reação sadia ao desequilíbrio tendo grande importância para o planejamento e implementação do programa.

As pessoas aspiram por relações harmoniosas, mas nem sempre isso acontece. O relacionamento interpessoal é um processo sujeito a variações de espaço, tempo e contexto. E a afetividade e o poder existem em qualquer relação dentro e fora das organizações. A autora afirma que o tipo de afetividade define as características num relacionamento profissional que faz com que as pessoas gostem ou não de trabalharem juntas. A distribuição do poder também tem fundamental importância entre as pessoas que faz com que uma pessoa possua mais poder que outras em função do contexto, personalidades e dos meios para conquistar, ampliar e manter esse domínio. Torna-se fonte de poder também aquilo que pode satisfazer o desejo de uma pessoa, a identificação, conhecimento e informação sobre determinado assunto.

Algo presente também em todas as organizações são as diferenças de cultura, fazendo com que as empresas tornem-se diferentes umas das outras tendendo a criar e desenvolver culturas organizacionais próprias, se distinguindo como sistemas únicos. Dentro de um sistema organizacional, originam-se também, as subculturas que se manifestam com maneiras próprias de pensar e agir. Dessa forma, pode enriquecer o contexto cultural de uma organização pela introdução de valores e pontos de vistas diferenciados ou até mesmo podem dificultar a integração quando os membros da organização não estão preparados para lidar com situações diferentes. No entanto, os grupos podem ser veículos de transformação cultural, impulsionando a transformação dos sistemas contemporâneos mediante mudanças integradas em suas diferentes dimensões, incluindo seus valores, com o objetivo de fazer dos sistemas, espaços para desenvolvimento humano e socioeconômico instituindo um instrumento de mudança cultural.

A transformação de um grupo em equipe, segundo a autora, passa pelos pressupostos básicos de interdependência, diálogo e nível de colaboração. Junto com esses pressupostos, devem-se valorizar abordagens racionais da tarefa e aprender com a sua própria experiência. Mas, às vezes, equipes bem desenvolvidas encontram dificuldades, dentro de empresas problemáticas pelo fato da cúpula entender como perda de tempo os pressupostos básicos para influenciar no crescimento. Um processo bem conduzido de DE ajuda o grupo a assumir maior responsabilidade por seus destinos, todavia, o crescimento não pode ser imposto numa organização míope às oportunidades, enrolada a seus próprios problemas.

Por fim, conclui-se que o futuro pertence a organizações baseadas em equipes e não apenas em grupos organizacionais, diferenciando grupos de equipes. Uma equipe alia o desejo de realização do indivíduo, seja profissional ou pessoal, à vontade de buscar o objetivo comum, com comunicação, estímulo a opiniões diferentes, capacidade de assumir riscos, confiança, respeito, mente aberta e cooperação. Essas são, portanto, as características de uma equipe perfeita diante da análise desta obra.

Fela Moscovici usa como referência em seu livro, diversos autores tais como Crys Argiris, Peter Drucker e Paulo Freire, tornando dessa forma, a obra muito mais rica e valorizada na área de desenvolvimento de equipes.

As idéias da autora são bem originais, simples e objetivas, proporcionando uma fácil compreensão aos administradores, consultores e demais profissionais que de certa forma, lidam com grupos. Com a obra, muitos equívocos poderão ser evitados em processo de desenvolvimento em grupo, facilitando o diálogo e a comunicação entre as pessoas, aceitando o processo democrático, as limitações dos outros, mostrando as complicações dos relacionamentos e como lidar com elas. Enfim, é mais que uma obra. É o manual de como trabalhar em grupo de forma mais hábil, comunicativa e produtiva, proporcionando satisfação para os participantes.


Referências:

Pensar fora da caixa – Um contraponto

“A ‘caixa’ é um produto do modelo educacional instituído?”

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Como é sabido popularmente, a expressão “Pensar fora da caixa” tem andado muito em voga. Sendo proferida nos contextos mais diversos, tornou-se jargão no mundo corporativo. Num contexto global, o significado dessa expressão informa que o “livre pensar” pode ser acessado por todos os que desejarem, desde que se disciplinem para isso.

Ao pé da letra, todavia, essa expressão pode assumir outros significados. O pensamento é construído de acordo com os modelos de cultura e educação vigentes em cada comunidade. A família, a escola e a universidade são os exemplos mais banais dos modelos aos quais estamos sistematicamente submetidos.

Logicamente, cada um desses exemplos corresponde a um tipo de caixa. É como se houvesse uma infinidade de caixas (de tamanhos, aspectos e regras distintas,) nas quais são agrupados os pensamentos em formação. Desse modo, cada caixa forma pensamentos de acordo com suas regras.

Assim, pode-se afirmar que, se o pensamento é construído de acordo com condições específicas, ele não pode ser livre! E, uma vez que não há livre pensar, não é possível acessá-lo.

Nesse contexto, a expressão “Pensar fora da caixa” pode ser reformulada, para “pensar fora da PRÓPRIA caixa”. Que, por sua vez, passa a significar “pensar diferente dos que compartilham da mesma caixa”.

Dessa forma, conclui-se que, o exercício a ser feito, seria o de acessar os conhecimentos adquiridos em quaisquer caixas (domínio) e aplicá-los noutras. Pois o intercâmbio entre os membros das diversas caixas é que pode fazer com que rompamos os paradigmas dos modelos vigentes, além de enriquecer os referenciais individuais do ponto de vista do pensamento coletivo.


Pensar fora da caixa – Uma perspectiva

“E quando eu me ergui para olhar fora da caixa, percebi que não existia nenhuma caixa!”

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A expressão “Pensar fora da caixa” oriunda do inglês “Think outside the box” conota “pensar livre das amarras convencionais” e tem sua origem controversa; a primeira versão do surgimento dela é a do consultor americano John Adair em 1969; a segunda é que teria sido criada por Mike Vance. De acordo com ele, o termo foi utilizado em um treinamento do Grupo Disney – durante a resolução de um dos mais famosos quebra-cabeças corporativos: o de passar o lápis em todos os pontos de um quadrado sem tirá-lo do papel.

Seguindo esse ponto de vista e com a evolução dos conceitos da administração moderna, o fato é que é crescente a busca por profissionais aptos a incorporarem a criatividade ao mundo corporativo para conseguirem, com arrojo, entender e driblar as contingencialidades nos negócios.

Contudo, Mario Persona, professor da Uninove, ainda faz uma releitura dessa expressão e nos apresenta: “quem está dentro da garrafa não consegue ler o rótulo”. Muitas vezes (e não só na nossa carreira), possuímos certo “engessamento”. Chega uma hora que precisamos quebrar esses paradigmas e entender que quem está ao lado pode ter mais razão e pode saber mais que a gente, por ter uma visão privilegiada. Sair da caixa ou da garrafa é um exercício que devemos praticar diariamente.

E você sabe qual é o maior obstáculo para a criatividade dentro de uma empresa? O nosso maior inimigo está dentro de nós mesmos. Um preconceito ou conceito ultrapassado pode ser tão incorporado em seu pensamento, que você nem sequer perceba que eles estão lá. “Essa é a forma como fazemos as coisas por aqui” é um exemplo de grande vilão da criatividade! Estamos em um mundo de acelerada rotatividade de conhecimento e dinamismo da informação. Temos que estar abertos para o novo e ficar cada vez mais admirados com o que não conhecemos. As empresas precisam fazer a roda da inovação e da criatividade girar constantemente.

Dicas para ajudar a pensar “fora da caixa”:

1- Tenha sempre um bloco de anotações por perto. Você nunca sabe quando uma boa ideia pode aparecer e quando ela pode querer fugir de você, daí a importância de anotá-la.
2- Ouça pessoas de outras áreas e de outras culturas. Mas ouça-as. Aprenda a ouvir com atenção.
3- Exercite a capacidade de enxergar através do ponto de vista de outras pessoas, entenda que nem sempre somos os donos da verdade.
4- Livre-se de preconceitos. Tabus, muitas vezes são curativos equivocados para os nossos defeitos.
5- Leia livros, jornais, vá ao cinema, exposições, peças de teatro. Durma menos e consuma mais bens culturais.


Guilherme Leite –  Publicitário, especialista em Docência do Ensino Superior. Diretor Executivo da Verso e Prosa, agência de marketing, comunicação e redes sociais, pioneira em social media na região noroeste paulista: (17) 3046 – 3713. Escreve às terças-feiras, a coluna Cotidiano Empresarial, no Jornal A Cidade de Votuporanga. Apaixonado por marketing, reuniões e “japanese food”!

WITTGENSTEIN E O SIGNIFICADO DA PALAVRA NO USO DA LINGUAGEM

“POR QUE WITTGENSTEIN DIZ, EM SUA OBRA INVESTIGAÇÕES FILOSÓFICAS, QUE A SIGNIFICAÇÃO DE UMA PALAVRA É SEU USO NA LINGUAGEM?”

Visando compreender a linguagem no processo de interação social, realizei um estudo monográfico baseado na obra Investigações Filosóficas, de Ludwig Wittgenstein, que versa sobre a função da palavra no uso da linguagem. O objetivo é entender como a palavra se institui na fisiologia da dos processos humanos de comunicação. O referido artigo é uma síntese da monografia apresentada como requisito para conclusão da Graduação em em Filosofia (Licenciatura Plena), da Universidade Estadual do Ceará-UECE, sob orientação da Professora Doutoria Cristiane Maria Marinho.

Para uma compreensão mais didática, segue abaixo, todas as partes do artigo:


Luiz Felipe Pondé – Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (2012)

AVISO: o presente texto foi integralmente reproduzido do site da Unicentro Paraná. Link abaixo, no final.

“Alguns poucos carregam a humanidade nas costas”

NOTA: 9/10.

Pondé é um dos mais polêmicos pensadores do País e autor de uma das colunas mais discutidas da imprensa brasileira, publicada no jornal Folha de S.Paulo desde 2008. Graduado em Filosofia pela USP, é mestre em História da Filosofia Contemporânea pela mesma universidade e doutor em Filosofia Moderna pela USP/Universidade de Paris, além de possuir pós-doutorado pela Universidade de Tel Aviv. [Saiba mais].

O título desta resenha deixa bem claro aonde este livro pretende chegar e o quão desagradável ele pode ser para algumas pessoas, aliás, seu objeto é esse. O Guia Politicamente Incorreto de Filosofia é um livro que visa ser desagradável, principalmente para as pessoas politicamente corretas. São pautadas discussões de temas do cotidiano das pessoas, onde o autor toma um ponto de vista pessimista. O ser pessimista é no sentido de dizer “verdades” que todo mundo sabe, mas ninguém diz. O texto se caracteriza como um ensaio de ironia filosófica, onde os pontos de vista do autor são defendidos pautados na filosofia e na sua história, lembrando que filosoficamente a ironia visa demonstrar as verdades escondidas, uma vez que ela é muito próxima ao ceticismo, porém este é menos cruel que a ironia (esta humilha, e a mentira é considerada de ordem moral, portanto ela visa revelar a hipocrisia).

Os capítulos são curtos ensaios que discutem diversos temas, entre eles destacam-se: a discussão de fundamentalismos religiosos, do feminismo, a questão do belo, autoajuda, teologia da libertação, democratização do conhecimento, amor, natureza humana, etc.

Alguns pontos do livro são bastante polêmicos (não é uma coisa que qualquer um saia falando por aí). Por exemplo, se você acredita que todos os alunos são iguais do ponto de vista educacional, segundo Pondé isto é mentira, uma vez que até os professores sabem que alguns alunos são melhores que outros e assim é a sociedade de uma maneira geral. Outra polêmica abordada é que a igualdade ama a mediocridade e ela funciona a serviço da preguiça e do mau-caratismo, por exemplo, aliás, a questão de ”justiça social” (o próprio autor coloca o termo entre aspas) é bastante pautada. Ele também discute a democracia, segundo ele confiar no povo como regulador da democracia é perigoso, pois o povo é opressor e se contenta com pouco, aderindo assim facilmente a formas de totalitarismo e quando aparece politicamente é pra quebrar as coisas. Aliás, segundo ele a maioria do povo é idiota.

Os sistemas econômicos recebem uma atenção especial no livro. Um trecho que me chama bastante atenção diz que é duro ser gente, pois a maioria de nós é irrelevante, porém somos ouvidos porque somos consumidores. Não vou me adentrar aos argumentos, mas é uma leitura proveitosa no sentido de mostrar a sociedade por um viés diferente do qual estou [estamos] acostumado.


Título: Guia Politicamente Incorreto da Filosofia;
Autor: Luiz Felipe Pondé;
Ano: 2012;
Gênero: Filosofia;
Páginas: 230;
Idioma: Português.


Referências:

Autor da resenha: Maurício Cherpinski