Arquivo da categoria: livros

Robert Henry Srour – Poder, Cultura e Ética nas Organizações

“O desafio das formas de gestão”

Nota: 9,00.

O ambiente organizacional sempre foi um ecossistema rico para investigar e aprender sobre as relações humanas. Nele, ocorrem fenômenos de todos os tipos e naturezas, dada a diversidade de pessoas, seus comportamentos e as circunstâncias de cada ambiente. Por falar em comportamento, é sempre fascinante notar como é paradoxal. Ao mesmo tempo em que é singular, é também plural; simples e complexo; tranqüilo e dinâmico, e por aí vai.

“Poder, cultura e ética nas organizações”, analisa as relações de poder em torno dos objetivos empresariais, como interagem e se articulam para que a empresa cumpra suas várias missões. Através de uma interpretação baseada em anos de estudo, o autor buscar tornar compreensível os movimentos que ocorrem em todos os níveis organizacionais e, a partir disto, elabora uma tese que descreve a nova arquitetura do capitalismo social. Para possibilitar um entendimento no mesmo nível do autor, ele faz pontes com temas como a revolução digital, a globalização econômica e a sociedade da informação.

Em primeiro plano figuram as relações de trabalho nas empresas que, para se tornarem competitivas, tiveram que passar por mudanças radicais envolvendo os seus empregados. E nos leva a perceber que as transformações ocorridas no ceio destas organizações ocorreram como conseqüência das pressões que a cidadania organizada exerceu no cotidiano das empresas e das ruas.

No ponto que tange ao capital humano, nota-se que os trabalhadores deixaram de ser percebidos como meras peças de reposição nas engrenagens da linha de produção e passaram a ser capacitados ao ponto de tornarem-se polivalentes no desempenho de suas atividades. A implementação de ferramentas tecnológicas em grande escala permitiu que o agora, colaborador, pudesse fazer mais uso das faculdades mentais do que da força física e isto deu-lhes mais dignidade como pessoa.

Por fim, a principal conclusão a que se pode chegar é a de que as transformações pelas quais passaram as relações de trabalho e emprego foram possíveis graças ao processo de intervenção política da sociedade civil, que desde o período entre as duas guerras mundiais, foi se aprimorando e ganhando poder para redefinir muitas das relações capitalistas.


Autor: Robert Henry Srour;
Ano: 2005;
Páginas: 408;
Editora: Ed. Campus.

Tiago Mattos – Vai lá e faz!

“Como empreender na era digital e tirar ideias do papel”

Pra quem empreende, o espírito empreendedor está associado a muitos princípios que indicam ação. O empreendedor é, por natureza, um ser colaborativo, dotado de capacidade de iniciativa e ama compartilhar o que tem e o que sabe.

Empreendedor não é todo aquele que simplesmente que abre uma empresa, que funda uma startup ou que desenvolveu um aplicativo capaz de revolucionar um ramo de atividade.

Na verdade, é a soma de tudo isso e muito mais. Há pessoas que têm muitos desses atributos, outras têm poucos e algumas, nenhum. Mas, o mais importante aqui é a atitude empreendedora, o impulso criativo/construtivo e a capacidade de organizar as ideias e tirá-las do papel.

Nesse sentido, há empresários que não são empreendedores e empreendedores que não são empresários. Entre os empreendedores, há idealistas, capitalistas, oportunistas, etc. e tal. Mas, para efeito desta análise, não importa com que se identificam ou o que os motiva. O que importa é que todos querem fazer a diferença na vida de alguém.

E fazer a diferença não está relacionado com o desejo de mudança apenas, mas também com o desejo de melhorar algo que pode ser melhorado, de criar algo que produza impacto positivo no universo a sua volta e/ou no mundo. O empreendedor nato se alimenta da concretização do seu impulso criativo/construtivo.

Empreender é sempre desafiador, ainda mais na era digital, que exige muito mais capacidade de resposta e visão de futuro, dada a efemeridade das coisas. Nesse sentido, uma das sacadas mais legais do livro, é ver que o autor se preocupou em compreender a história da tecnologia e que ele a vislumbra tanto numa perspectiva local quanto global e, o mais importante, que a aceita como imprescindível para a realização de toda a cadeia produtivo-construtiva no intervalo compreendido entre o “agora” e o “devir”.

Neste ponto, introduz-se o conceito de futurismo, que é um termo muito usado de uns anos pra cá, mas ainda pouco difundido entre todos aqueles que não são do ramo.

Futurista é todo aquele que é dotado de capacidade de projetar cenários possíveis entre as diversas variáveis mercadológicas, dentre as quais, destaca-se a econômica. Tiago Mattos é, nesse sentido, um dos nomes mais difundidos entre os empreendedores da geração que ora vivemos, dada a sua visão clara e nível de profundidade no tema.

Por essas e outras, o livro tem a sagacidade de exercer críticas aos modelos tradicionais de aprendizagem/trabalho, ao mesmo tempo em que oferece insights que ajudam a quebrar com o engessamento dos mesmos. Aqui, o autor alerta para a necessidade de romper com esses modelos e de democratizar esses conhecimentos para que a sociedade possa evoluir em sua totalidade.

Tiago nos ajuda a ver que o mercado começa a repudiar naturalmente muitas práticas intrínsecas a estes modelos e a perceber que somente pelo abandono destas velhas práticas, pessoas e organizações poderão se manter relevantes para o mercado num futuro já próximo.

Essa capacidade de enxergar e de se antecipar às intempéries do devir é o produto da reflexão que – suponho – Tiago espera que façamos. Ela pode e deve ser feita do aspecto mais particular para o mais geral, ou seja, da realidade individual para a coletiva e da local para a global, sem deixar de olhar para os lados e de contemplar os muitos aspectos do processo construtivo/produtivo.

Paralelamente, a ação [de ir lá e fazer] deve ser precedida de outro tipo de reflexão – a ética. Neste momento o leitor pode se perguntar: porque é necessária tal reflexão? A resposta é simples e diz respeito a pelos menos dois pontos relevantes:

1) Autocrítica, que é o conhecimento de si mesmo (das potencialidades e das fraquezas);
2) Circunstancial, que se refere a situar-se em relação às próprias práticas e sobre as quais se pretende inovar.

Mas há o motivo óbvio, que provavelmente não precisaria citar por se tratar do fato de que ninguém pode sair por aí fazendo o que quer sem que esta ação seja livre de conseqüências.

Já que falamos em inovar, o tema Inovação é justamente o favorito de Tiago, por isso, o autor reserva mais espaço para o mesmo. Individualmente, a capacidade de produzir inovação está diretamente ligada ao “mindset”(termo que em português significa “modelo mental”) e se refere a “configuração  mental” de cada um. Dessa forma, para estimular o pensamento inovador, somam-se todas as experiências do indivíduo (interação com pessoas e coisas), pois cada aspecto influencia na atitude empreendedora de uma forma específica – daí a importância do auto conhecimento.

Havendo organizado as próprias ideias, fica muito mais fácil para quem deseja empreender, tirá-las do papel, tocar o próprio projeto e obter êxito.

No entanto, é preciso ter em mente que na vida, a única constante é a mudança, por isso, é muito importante ter disposição e informação para produzir impactos na vida pessoal ou nas organizações. Todos os dias conceitos mudam ou deixam de existir e, nesse contexto, tudo permanece inacabado, em processo de reconstrução ou de ressignificação.

Se você acredita que pode impactar positivamente a vida de alguém num grupo, numa comunidade ou numa empresa, não deixe de ler este livro. Paralelamente, busque desafiar-se sempre que possível. Encontre formas de aprender coisas que ajudem a manter a mente aberta e use suas vivências pessoais para melhorar algo com o qual atua ou se identifica.

O livro é didático na medida da complexidade do tema. Mas a leitura e prazerosa e estimulante. E, apesar de todos os tópicos relacionador e dos parênteses abertos (e por mais estranho que isso possa parecer), a mensagem mais importante que ele passa é curta e simples: quer fazer alguma coisa/qualquer coisa? Vai lá e faz!

Nota: 9/10


Autor: Tiago Mattos;
Editora: Belas Letras;
Ano: 2017;
Páginas: 320.

Eugênio Mussak – Gestão Humanista De Pessoas (2010)

“O Fator Humano Como Diferencial Competitivo”

NOTA: 9/10.

Os estilos de liderança em todas as épocas – inclusive, hoje – sempre se basearam na autoridade. Esta, por sua vez, pode ser instituída por meio do conhecimento, do poder ou da forma de relacionar-se com os demais. Todavia, não há unanimidade quanto a estilos e formas de liderança, pois praticamente todos os comportamentos são baseados em vivências e realidades individuais e, assim sendo, a única forma de exercer uma liderança legítima sob a maior  quantidade de aspectos é conhecendo a alma humana. E isto é para poucos.

O autor parte da premissa de que as pessoas não são controláveis, mas são lideráveis. Essa diferença não é sutil, é radical, ainda que seja tão mal compreendida por todos aqueles que praticam gestão de pessoas. O projeto habilita-se a equacionar essa diferença com firmeza e didática. Peter Drucker disse que “o futuro da gestão se confundirá cada vez mais com a capacidade dos gestores de entenderem da alma humana”.

Nesse sentido, vocação e talento são componentes isoladas do espectro do líder verdadeiro. Se o objetivo das empresas é gerar resultados e se esse resultado na maioria das vezes é percebido pela rentabilidade e lucro, as pessoas são o meio pelo qual o lucro é possível de ser realizado e potencializado. Sendo assim, a despeito dos movimentos de recessão a políticas de austeridade, o significado e o papel mais belo da gestão de pessoas é atrair e manter os melhores talentos, desenvolvendo-os e estimulando-os a enfrentar os desafios com alegria e vontade de superá-los.

O livro nos oferece um pouco da história da gestão de pessoas, o papel da liderança, do clima e cultura empresarial, os instrumentos de gestão de carreira, do conhecimento e do tempo, além das tendências e desafios da área.

Aqui temos um material articulado com poder de estimular para a ação e, sobretudo para reflexão, aqueles que se acostumaram a conviver com as preocupações, ansiedades, dúvidas e necessidades diárias do ato de gerir pessoas. Nada precisa nem deve ser dolorido, apenas conhecido.


Autor: MUSSAK, EUGENIO;
Editora: ELSEVIER EDITORA;
Ano: 2010;
Nº de Páginas: 300.

Fela Moscovici – Equipes Dão Certo

“A multiplicação do talento humano”

Nota: 9/10.

A autora Fela Moscovici é mestre em psicologia social pela Universidade de Chicago (EUA) e especialista em consultoria organizacional no NTL – Institute of Applied Behavioral Science (EUA). Fela também foi professora de cursos de graduação e pós-graduação da Escola Brasileira de Administração Pública (Ebap) e do Centro de Pós-Graduação de Psicologia Aplicada (CPGPA) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Atualmente é consultora de empresas e atua nas áreas de desenvolvimento interpessoal, de executivos, de equipes e organizacional.

SOBRE O LIVRO:

O livro é dividido em três partes: idéias, ações e experiências. A autora aborda a idéia de que o futuro pertence a organizações baseadas em equipes e não apenas em grupos organizacionais, diferenciando durante a obra, as características entre grupos e equipes. Grupos existem em toda a parte e os membros trabalham juntos; equipes, porém, são bem mais do que isso. Uma equipe alia o desejo de realização do indivíduo, seja profissional ou pessoal, à vontade de buscar o objetivo comum. Em uma equipe deve haver comunicação entre os membros, estímulo a opiniões divergentes, capacidade de assumir riscos, confiança, respeito, mente aberta e cooperação.

Segundo Fela, na vida em grupo é impossível não haver conflitos ao existir escassez de recursos para satisfazer todas as necessidades, desejos e afetividades. O conflito, no entanto, é uma dinâmica interpessoal com conseqüências positivas ou negativas. Existem dois conjuntos de táticas para lidar com conflitos: as de luta/fuga e as de diálogo. Embora o fato das táticas de luta/fuga serem muito usadas, elas não promovem melhoria de relacionamento, nem resultados satisfatórios na resolução de conflitos. Já a tática de diálogo que inclui também apaziguamento, negociação, confrontação e resolução de problemas, permite descobrir alternativas de controle de conflito.

A autonomia de uma equipe vai desde prover simples sugestões até trabalhar como unidades autogerenciadas, exigindo esforço motivacional e confiança na continuidade trazendo compensações significativas. Obstáculos e dificuldades também estão presentes em grupos, como por exemplo, a resistência. A resistência a mudanças tem de ser reconhecida e não tratada como negativa, ela pode ser uma reação sadia ao desequilíbrio tendo grande importância para o planejamento e implementação do programa.

As pessoas aspiram por relações harmoniosas, mas nem sempre isso acontece. O relacionamento interpessoal é um processo sujeito a variações de espaço, tempo e contexto. E a afetividade e o poder existem em qualquer relação dentro e fora das organizações. A autora afirma que o tipo de afetividade define as características num relacionamento profissional que faz com que as pessoas gostem ou não de trabalharem juntas. A distribuição do poder também tem fundamental importância entre as pessoas que faz com que uma pessoa possua mais poder que outras em função do contexto, personalidades e dos meios para conquistar, ampliar e manter esse domínio. Torna-se fonte de poder também aquilo que pode satisfazer o desejo de uma pessoa, a identificação, conhecimento e informação sobre determinado assunto.

Algo presente também em todas as organizações são as diferenças de cultura, fazendo com que as empresas tornem-se diferentes umas das outras tendendo a criar e desenvolver culturas organizacionais próprias, se distinguindo como sistemas únicos. Dentro de um sistema organizacional, originam-se também, as subculturas que se manifestam com maneiras próprias de pensar e agir. Dessa forma, pode enriquecer o contexto cultural de uma organização pela introdução de valores e pontos de vistas diferenciados ou até mesmo podem dificultar a integração quando os membros da organização não estão preparados para lidar com situações diferentes. No entanto, os grupos podem ser veículos de transformação cultural, impulsionando a transformação dos sistemas contemporâneos mediante mudanças integradas em suas diferentes dimensões, incluindo seus valores, com o objetivo de fazer dos sistemas, espaços para desenvolvimento humano e socioeconômico instituindo um instrumento de mudança cultural.

A transformação de um grupo em equipe, segundo a autora, passa pelos pressupostos básicos de interdependência, diálogo e nível de colaboração. Junto com esses pressupostos, devem-se valorizar abordagens racionais da tarefa e aprender com a sua própria experiência. Mas, às vezes, equipes bem desenvolvidas encontram dificuldades, dentro de empresas problemáticas pelo fato da cúpula entender como perda de tempo os pressupostos básicos para influenciar no crescimento. Um processo bem conduzido de DE ajuda o grupo a assumir maior responsabilidade por seus destinos, todavia, o crescimento não pode ser imposto numa organização míope às oportunidades, enrolada a seus próprios problemas.

Por fim, conclui-se que o futuro pertence a organizações baseadas em equipes e não apenas em grupos organizacionais, diferenciando grupos de equipes. Uma equipe alia o desejo de realização do indivíduo, seja profissional ou pessoal, à vontade de buscar o objetivo comum, com comunicação, estímulo a opiniões diferentes, capacidade de assumir riscos, confiança, respeito, mente aberta e cooperação. Essas são, portanto, as características de uma equipe perfeita diante da análise desta obra.

Fela Moscovici usa como referência em seu livro, diversos autores tais como Crys Argiris, Peter Drucker e Paulo Freire, tornando dessa forma, a obra muito mais rica e valorizada na área de desenvolvimento de equipes.

As idéias da autora são bem originais, simples e objetivas, proporcionando uma fácil compreensão aos administradores, consultores e demais profissionais que de certa forma, lidam com grupos. Com a obra, muitos equívocos poderão ser evitados em processo de desenvolvimento em grupo, facilitando o diálogo e a comunicação entre as pessoas, aceitando o processo democrático, as limitações dos outros, mostrando as complicações dos relacionamentos e como lidar com elas. Enfim, é mais que uma obra. É o manual de como trabalhar em grupo de forma mais hábil, comunicativa e produtiva, proporcionando satisfação para os participantes.


Referências:

Luiz Felipe Pondé – Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (2012)

AVISO: o presente texto foi integralmente reproduzido do site da Unicentro Paraná. Link abaixo, no final.

“Alguns poucos carregam a humanidade nas costas”

NOTA: 9/10.

Pondé é um dos mais polêmicos pensadores do País e autor de uma das colunas mais discutidas da imprensa brasileira, publicada no jornal Folha de S.Paulo desde 2008. Graduado em Filosofia pela USP, é mestre em História da Filosofia Contemporânea pela mesma universidade e doutor em Filosofia Moderna pela USP/Universidade de Paris, além de possuir pós-doutorado pela Universidade de Tel Aviv. [Saiba mais].

O título desta resenha deixa bem claro aonde este livro pretende chegar e o quão desagradável ele pode ser para algumas pessoas, aliás, seu objeto é esse. O Guia Politicamente Incorreto de Filosofia é um livro que visa ser desagradável, principalmente para as pessoas politicamente corretas. São pautadas discussões de temas do cotidiano das pessoas, onde o autor toma um ponto de vista pessimista. O ser pessimista é no sentido de dizer “verdades” que todo mundo sabe, mas ninguém diz. O texto se caracteriza como um ensaio de ironia filosófica, onde os pontos de vista do autor são defendidos pautados na filosofia e na sua história, lembrando que filosoficamente a ironia visa demonstrar as verdades escondidas, uma vez que ela é muito próxima ao ceticismo, porém este é menos cruel que a ironia (esta humilha, e a mentira é considerada de ordem moral, portanto ela visa revelar a hipocrisia).

Os capítulos são curtos ensaios que discutem diversos temas, entre eles destacam-se: a discussão de fundamentalismos religiosos, do feminismo, a questão do belo, autoajuda, teologia da libertação, democratização do conhecimento, amor, natureza humana, etc.

Alguns pontos do livro são bastante polêmicos (não é uma coisa que qualquer um saia falando por aí). Por exemplo, se você acredita que todos os alunos são iguais do ponto de vista educacional, segundo Pondé isto é mentira, uma vez que até os professores sabem que alguns alunos são melhores que outros e assim é a sociedade de uma maneira geral. Outra polêmica abordada é que a igualdade ama a mediocridade e ela funciona a serviço da preguiça e do mau-caratismo, por exemplo, aliás, a questão de ”justiça social” (o próprio autor coloca o termo entre aspas) é bastante pautada. Ele também discute a democracia, segundo ele confiar no povo como regulador da democracia é perigoso, pois o povo é opressor e se contenta com pouco, aderindo assim facilmente a formas de totalitarismo e quando aparece politicamente é pra quebrar as coisas. Aliás, segundo ele a maioria do povo é idiota.

Os sistemas econômicos recebem uma atenção especial no livro. Um trecho que me chama bastante atenção diz que é duro ser gente, pois a maioria de nós é irrelevante, porém somos ouvidos porque somos consumidores. Não vou me adentrar aos argumentos, mas é uma leitura proveitosa no sentido de mostrar a sociedade por um viés diferente do qual estou [estamos] acostumado.


Título: Guia Politicamente Incorreto da Filosofia;
Autor: Luiz Felipe Pondé;
Ano: 2012;
Gênero: Filosofia;
Páginas: 230;
Idioma: Português.


Referências:

Autor da resenha: Maurício Cherpinski

George Orwell – 1984 (1949)

“Totalitarismo, polícia política, vigilância e controle da vida privada

NOTA: 10/10

Eric Arthur Blair, nascido em 25/06/1903 na Índia, mas filho de pai Inglês (Londres/UK) ficou conhecido como George Orwell e foi um escritor, jornalista e ensaísta político. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada, uma consciência profunda das questões sociais, oposição frontal ao totalitarismo e paixão pela clareza da escrita. Tido como simpatizante da proposta anarquista, o escritor defendeu a auto-gestão ou autonomismo. Sua hostilidade ao Stalinismo nasceu pela observação da experiência fracassada do socialismo soviético, um regime por ele denunciado noutro livro extraordinário, A Revolução dos Bichos. O estilo de escrita e o gosto por esse tema se revelou uma característica constante no conjunto de sua obra.

1984 foi escrito originalmente em 1949 e conta uma história fictícia que, além de assustadoramente profética, permanece atualíssima até os dias de hoje. Foi traduzido em 65 países, virou minissérie, filmes, inspirou quadrinhos, mangás e até uma ópera. Mas foi ganhou renovados holofotes em 1999, quando a produtora holandesa Endemol batizou seu reality show (formato que chegou à TV nos anos 1970), de Big Brother, o mais sinistro personagem, ou melhor, entidade do livro.

No enredo descreve um país governado pelo Grande Irmão, como gosta de ser chamado. Mas ele é um sujeito aparentemente normal: aproximadamente 45 anos de idade, caracterizado pelo uso de um grande bigode preto e feições rudes, mas agradáveis. O Big Brother assumiu o poder como é o líder máximo depois de uma guerra de escala global (maior que a 2ª Grande Guerra), que eliminou as nações como as conhecemos hoje e criou 3 grandes estados transcontinentais e totalitários. A Oceania (Oceania, Américas, Islândia, Reino Unido, Irlanda e grande parte do sul da África.), A Eurásia (Europa, exceto Islândia, Reino Unido e Irlanda, quase toda a Rússia e pequena parte do resto da Ásia), a Lestasia (China, Japão, Coreia, parte da Índia e algumas nações vizinhas).

A fictícia Oceania, maior e mais poderosa porção do novo mundo é onde se passa a história. Em Londres, bem como em todo o território nacional, as cidades são vigiadas pelo Grande Irmão, que a tudo ver e que tudo sabe. Por meio das teletelas, ele controla a vida dos cidadãos nos menores detalhes. Estas estão espalhadas em todos os lugares (públicos e privados). São uma espécie de televisor capaz de monitorar, gravar e espionar a população, como um espelho duplo.

O protagonista, Winston Smith, é funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade – DDMV, um dos quatro ministérios da Oceânia, seu trabalho é falsificar registros históricos, a fim de moldar o passado em função dos interesses do líder supremo no presente (prática, aliás, que parece estar ganhando corpo no Brasil). Havia opressão em todos os sentidos. Pra se ter uma noção, havia A Polícia das Ideias, que atuava de forma implacável contra o livre pensar. Mas não para aí: até as relações amorosas eram proibidas. Winston detesta o sistema, porém, se limita a cumprir ordens, evitando desafiá-lo. Mas isso muda quando conhece Júlia (Departamento de Ficção), uma jovem rebelde por quem se apaixona. Juntos, passam a questionar o sistema e acreditar que uma rebelião é possível. Mas combater o sistema não seria e não foi fácil….

Para saber mais, por favor, leiam o livro.

Referências:

FOCO – DANIEL GOLEMAN

“A atenção e seu papel fundamental para o sucesso”

Nota: 9/10.

Talvez você já tenha se ouvido falar em Mindfulness. Mas talvez não saiba exatamente o que seja nem do que se trata. Pois bem, para responder se uma forma objetiva, Mindfulness é um, este estado de consciência em que estamos com o corpo e a mente no mesmo lugar. Ou seja, é um estado de atenção plena aplicado ao momento presente em que há receptividade sem reatividade.

Esta palavra que aportuguesamos e que agora virou moda nos diversos cursos de aprimoramento que geralmente fazemos para atender a demandas da profissão, existe na comunidade científica médica e psicológica internacional há 30 anos e na psicologia budista há, pelo menos, 2500 anos. Sim, a origem do conceito “Mindfulness” é budista, mas hoje quem é responsável por sua disseminação e crescimento é a ciência.

Nesse sentido, Mindfulness nada mais é do que a habilidade de nos colocarmos conscientes e abertos às experiências do momento presente e sem julgamentos. Essa habilidade pode ser desenvolvida por meio de práticas específicas de meditação – chamadas de meditações mindfulness – que possuem resultados científicos comprovados. Estas práticas têm sido febre na região do Vale do Silício, onde as empresas consideradas mais inovadoras do mundo se concentram como Google, Apple e Twitter. Tais corporações investem em treinamentos de mindfulness para seus funcionários há tempos; há comprovação de que quanto maior o nosso nível de mindfulness, maior é nossa criatividade, nosso bem-estar e inteligência emocional.

Os especialistas afirmam que todos temos a habilidade (em maior ou em menor grau) de permanecer concentrados em algo por um determinado período de tempo. E o que é melhor, que podemos aumentar essa capacidade se nos exercitarmos regularmente.

A afirmativa acima encontra paralelo em Daniel Goleman no seu livro “Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso”. Para Goleman, o excesso de informação do mundo moderno, sobrecarrega o pensamento provocando uma série de distúrbios que culminam em níveis elevados de stress.

Na área profissional, temos que lidar diariamente com fatores que parecem agir como nossos inimigos e nos atrapalhar a toda e qualquer hora. Como exemplo ele cita o hábito de olhar e-mails, mensagens nos diversos app’s, Facebook, Twitter, etc., indisciplinadamente. No entanto, se você conseguir resistir ao impulso de deixar sua mente divagar por entre as tentações do mundo conectado, você pode ir além.

O autor constatou que normalmente uma pessoa fica distraída por mais de 40% do tempo quando lê um texto ou participa de uma reunião. Mas, ainda segundo o autor, há muitos benefícios em desenvolver foco para permanecer concentrado por períodos maiores de tempo. E a palavra que mais deve agradar aos profissionais do mundo corporativo é “sucesso”. Sim, o sucesso na realização de projetos importantes, na boa organização e distribuição de recursos, na execução de tarefas rotineiras na sua empresa.

Por isso, afirma que todos precisam aprender a aprimorar o foco se quiserem prosperar no complexo mundo em que vivemos. E acrescenta que todos os que alcançaram rendimento máximo (nos estudos, nos negócios, nos esportes ou nas artes) são precisamente os que prestaram atenção no que era mais importante para seu desempenho.

De onde conclui que foco é o que diferencia um especialista de um amador, um profissional de alta performance de um funcionário mediano.” E nesse contexto, desenvolver foco é uma forma de lançar um olhar inovador sobre as circunstâncias e de perceber como a atenção pode ser decisiva para obter sucesso nos seus projetos.


Autor: Daniel Goleman;
Editora: Objetiva;
Ano: 2013;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 296.

Equilíbrio e Resultado – Christian Barbosa (2012)

Texto integralmente reproduzido do site Engrandece. [Link ao final]

“Equilíbrio é a junção da oportunidade com a sua capacidade de executar”

NOTA: 9/10.

Imagine que a sua vida é uma balança. Em um dos lados da balança existe o equilíbrio, tudo aquilo que você faz para aumentar o seu bem-estar. Do outro lado, estão o resultado, os objetivos que você consegue, de fato, alcançar. O equilíbrio está ligado com o que você quer ser e o resultado com o que você quer ter. Você acredita que é possível conquistar as duas coisas ao mesmo tempo? Muitas pessoas creem que, quanto mais subirem na carreira, menos qualidade de vida terão. Mas para Christian Barbosa, especialista em produtividade e gestão do tempo, isso não é verdade. Se você quiser descobrir como conseguir ter uma vida equilibrada, equivalendo o peso de cada lado da sua balança, o resumo do livro Equilíbrio e Resultado é para você.

Quem Não Está Cansado de Tudo?

O mundo inteiro está apressado e cansado. Hoje, quase todos vivem atrasados, correndo de um lado para o outro e cheios de coisas para fazer. Ao mesmo tempo, todos desejam ter uma vida mais equilibrada, com resultados, o que não significa a ausência completa de estresse, e sim um controle sobre os fatores estressantes de modo que não prejudiquem o seu dia a dia.

Vidas Adiadas

O problema de viver uma vida sem tempo, sem graça, sem alegria, sem resultados e sem equilíbrio que muitos insistem em levar é que, dessa forma, as pessoas adiam a própria vida. As pessoas vivem sem viver de verdade, deixando de fazer o que deveria ser feito. O grande problema é justamente adiar coisas que não deveriam ser adiadas, aquelas que são realmente as mais importantes das nossas vidas.

A Matriz da Vida

Você já pensou no que, de fato, significa aproveitar a vida? Todos falam de qualidade de vida, das boas empresas para se trabalhar, do emprego perfeito, da fórmula mágica de uma vida que valha a pena de verdade. Mas será que as pessoas que alcançam tudo isso, realmente estão felizes? A maior parte dessas pessoas, quando questionadas, dizem que não estão plenamente satisfeitas. Falta algo. Milhões de reais na conta bancária não compram segundos de equilíbrio, tempo familiar e saúde. Para muitos, trabalhar para ter sucesso financeiro significou o fracasso em outras áreas da vida. Em outras situações, profissionais que alcançavam um bom nível de equilíbrio pessoal não alcançavam resultados palpáveis.

As Quatro Células

O equilíbrio da vida está baseado na teoria das quatro células, em todas as áreas da vida. A primeira célula é a de quando você não se sente bem e não sabe se precisa mudar alguma coisa. Na segunda célula, a decepção toma conta de você e você se decepciona com o rumo da sua vida. Quando chega na terceira célula, você entende o seu patamar e, com conhecimento a respeito de si próprio, atinge os resultados que deseja. Se chega na quarta célula, a realização faz você ter uma percepção total de um equilíbrio que move você para frente. Então, em qual célula você se encontra?

O Que Impede O Seu Equilíbrio e Resultado?

Hoje em dia, o que se sabe, sem dúvida, é que o cavalo e o cavaleiro existem, e um depende muito do outro. Ou seja, a cada momento você tenta tomar decisões, mas aí vem o cavalo, a emoção, e atropela o cavaleiro, a razão.

A Formação do Seu Mindset

O seu mindset é o modelo mental que você desenvolveu e aplica no dia a dia. Desde a infância nós treinamos o nosso cérebro, por meio de nossas próprias lembranças e experiências, bem como da observação do comportamento de todas as pessoas que estavam ao nosso redor. Nós treinamos o nosso cérebro para várias coisas como, por exemplo, decidir algo, planejar, trocar a preguiça pela execução, pensar para resolver problemas, entre outras coisas. Um treinamento que diariamente é imposto a nosso cérebro, e que ele aprende com muita eficácia, é fazer tudo em cima da hora. É claro que alguns conseguem superar esse modelo mental, mas a maior parte das pessoas reproduzem esse e outros padrões na maneira como lidam com os medos, nas formas de vencer os desafios, na gestão financeira etc.

O Poder da Energia Pessoal

A energia pessoal é um grande ingrediente para que o seu cérebro saia do lugar. O problema é que o mundo passa por uma grave crise de energia pessoal. De tão cansados, os profissionais não conseguem dar o passo seguinte na vida para se moverem entre as células da matriz. Muitos se perguntam se a gestão de energia pessoal vem antes ou depois da gestão de tempo pessoal. Essas duas áreas apresentam uma sinergia singular. Porque de nada adianta você ter muita energia pessoal e ser uma pessoa sem organização, sem prioridades claras e sem um método de produtividade. Então procure usar bem a sua energia, e isso a gestão de tempo faz por você. Agendar e praticar exercícios físicos, fazer checkups e cuidar da saúde aumenta a sua qualidade de vida.

Muitas Ideias e Começos, Poucas Realizações

O mundo em que vivemos, cheio de oportunidades, informações, ideias e tecnologia, transforma o nosso cérebro em um repositório de ideias que, no fim das contas, mais atrapalham do que ajudam. O principal fator causador do excesso de ideias é a falta de clareza naquilo que é importante. Quando você não sabe o que realmente é importante, você acaba aderindo a muitas atividades que roubam o seu tempo, energia e resultados. Descobrir o que realmente é importante para você não é uma tarefa fácil, é preciso um esforço de autoconhecimento para abdicar de coisas e eliminar ideias inúteis.

Preparando Suas Ideias Para a Execução

Selecionar ideias é o primeiro passo para que você consiga fazer com que elas saiam do lugar, mas ainda falta muito para que elas aconteçam de verdade. Para a ideia ser concretizada ela precisa ser implementada, e aí começa um grande problema para a maioria dos profissionais e das empresas. O tempo voa e, quando menos percebemos, é ano-novo e já estamos analisando tudo aquilo que deixamos de fazer. É nessa hora que surgem as promessas de fim de ano, das quais, é claro, apenas uma em cada dez sai do lugar. É duro, mas você sempre pode fazer uma auto avaliação para perceber a quantidade de coisas que deveria realizar, mas simplesmente você não consegue iniciar e muito menos terminar.

Os Princípios Que Fazem as Ideias Serem Executadas

Ninguém executa uma ideia da noite para o dia. É claro que existe ideias que são executadas em um único passo, como acordar em um dia e ter a ideia de comprar um celular novo. Mas, para a sua busca constante de superação, a maior parte das ideias não são tão simples de serem executadas, elas são executadas através de vários passos que, juntos, concluem o que deve ser feito. É aqui que nascem os problemas de execução, seja na pequena empresa, na multinacional ou até mesmo na vida pessoal. As pessoas têm dificuldades em estabelecer os próximos passos e, por isso, as ideias não saem do lugar.

Por Que as Ideias Não Saem do Lugar?

A procrastinação é um problema intrínseco da humanidade, mas segundo o Dr. Joseph Ferrari, professor da DePaul University, de Chicago, especializado no estudo da procrastinação, “todo mundo procrastina, mas nem todos são procrastinadores”. O estudo do Dr. Joseph Ferrari aponta que 20% das pessoas são procrastinadoras crônicas e as restantes são eventuais. É importante entender essa diferença porque a procrastinação acontece na vida de todo mundo, mas a maior parte das pessoas pode escolher não procrastinar.

Não Espere o Momento Ideal

A receita infalível para manter você na célula 1 ou 2 é adiar as atividades de forma prejudicial, porque procrastinar prejudica o resultado, já que leva o seu foco para as atividades que não são, de fato, essenciais. Dessa maneira você lota o seu dia com atividades baseadas nas circunstâncias e deixa de lado o que realmente o coloca na célula 4, do equilíbrio e resultado. Muitos pensam que é preciso esperar a hora certa. Só que a verdade é que é raro existir a circunstância ideal para que alguma coisa aconteça e, muitas vezes, ela pode demorar mais do que você gostaria. Isso não quer dizer que você deve ser inconsequente, como, por exemplo, abrir um negócio de alto risco em um momento de crise. Mas será que mesmo em períodos em que a economia estiver estável existirá um momento ideal? Nem sempre! O momento ideal é aquele que você cria, é a junção da oportunidade com a sua capacidade de executar aquilo que precisa ser realizado. É a hora que você decide arriscar, que você decide experimentar e se põe à prova para fazer. Entrar na célula 4, do equilíbrio e resultado, é ter a capacidade de escolher as melhores ideias, transformar essas ideias em tarefas executáveis e, principalmente, conseguir levá-las adiante.


Autor: Christian Barbosa;
Editora: Sextante;
Ano: 2012;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 144.


Fonte:

Villém Flusser – Língua e Realidade (2004)

“Se a língua cria a realidade e a poesia cria a lingua, quem cria a poesia?”

Nota: 10/10.

Vilém Flusser nasceu numa família judia em 1920 na cidade de Praga/Tchecoeslováquia (atualmente, República Checa). Era apenas um jovem universitário quando os alemães invadiram sua cidade natal. Assim, por ocasião da chegada de Hitler à cidade de Praga, Flusser e sua amiga Edith Barth tiveram que deixar seu país às pressas partindo para a Inglaterra. Posteriormente, quando Paris caiu e antecipando-se a invasão iminente da Inglaterra, decidiu vir para o Brasil, onde chegaram em 1940. Mais tarde casaram-se, tiveram filhos e adotaram o país como sua nova terra natal.

Língua e Realidade foi originalmente escrito em 1963 e não antes reeditado até 2004. Trata-se do primeiro livro desse pensador e constitui-se numa obra ímpar. Nunca antes e nem depois se discutiu uma filosofia da língua como neste trabalho, baseado não apenas na informação de um erudito como também na vivência de um poliglota exilado. Escrito em português por um filósofo tcheco que usualmente escrevia em alemão. A partir da sua experiência no Brasil, Flusser sentiu-se incorporando o português como uma terceira língua materna.

Vivendo no Brasil e “ganhando a vida como escritor, descobriu o poder da tradução como recurso de apropriação da língua nativa. Em carta à pintora Mira Schendel, Flusser explica porque sistematicamente traduzia a si mesmo. Escrevia tudo primeiramente em alemão, que é a língua que mais pulsa no seu peito. Depois, traduzia para o português, que é a língua que mais articula a realidade social na qual esteve engajado. Traduzia, ainda, para o inglês, que segundo ele, é a língua que dispõe de maior riqueza de repertório e forma. Por fim, traduzia para a língua em que o escrito seria publicado. Dessa forma, penetrando nas estruturas das várias línguas, chegava a um núcleo geral e despersonalizado, através do qual articulava a(s) realidade(s) com maior liberdade e propriedade.

Esta pequena obra-prima, além de evocar as questões fundamentais do pensamento ocidental como as categorias de Aristóteles segundo as infinitas línguas existentes no mundo, também trata de questões primárias da filosofia, como aquela que persegue os filósofos desde Platão: se o mundo pode ser pensado, pensar sobre o pensamento, pode revelar elementos da estrutura do mundo?

Bem, meu objetivo aqui não é responder a estas e as outras questões que certamente surgirão, mas de instigar em você, amante da leitura, o desejo de ler e de adentrar no universo apaixonante que Vilém Flusser criou neste livro.


Autor: Vilém Flusser;
Editora: Annablume;
Idioma: Português;
Páginas: 230;
Ano: 2004.

Henrique C. Nardi – Ética, Trabalho e Subjetividade

“A nova configuração do mundo do trabalho produz efeitos importantes nas trajetórias de vida…”

Nota: 9,50.

O livro está fora de catálogo, mas o conteúdo é e será sempre atual para quem deseja saber mais sobre os aspectos éticos do trabalho em relação aos avanços de cada época.

Toda geração é marcada por um tipo próprio de evolução. Se olharmos para os últimos 20 anos, poderemos ver como as sociedades evoluíram de maneira mais rápida do que nos anos anteriores e assim será se retroagirmos mais e mais. Ocorre que as mudanças sociais que materializam esta evolução estão sempre associadas ao exercício do poder e ao processo de interação natural dos homens.

Cada mudança na vida prática vem associada à quebra de paradigmas da geração anterior e estas, por sua vez, não ocorrem sem debates ou conflitos sociais. As revoluções científicas mais notáveis se processam nos campo da biológica, da genética e principalmente da inteligência artificial. Algumas, chamando mais atenção das sociedades, outras, passando de forma mais – digamos – despercebida pelo grande público. Porém, em menor ou maior grau, todas provocam impactos no mundo.

A forma como lidamos com esta evolução DO momento em que as mudanças são propostas ATÉ aquele em que de fato se efetivam é basicamente o objeto de estudo deste livro. Sendo que, aqui, o foco está nas relação de trabalho.

Imaginemos que um país onde a expectativa média de vida do povo é de 75,51 anos em 2016 e que neste mesmo país a população potencialmente ativa está envelhecendo mais rápido do que a  quantidade de jovens inserida e no mercado de trabalho e, apta, para trabalhar.

Não é difícil entender que em pouco tempo, haverá mais gente aposentada e necessitando de auxílio do governo do que a quantidade de gente trabalhando e contribuindo para a manutenção do sistema de aposentadorias daquele país.

Nessas circunstâncias, podemos perceber claramente que o sistema não será capaz de se manter por mais gerações. E que é necessário mudar a forma segundo o qual o governo recolhe essas contribuições para futuramente devolvê-las àqueles que já deram sua parcela de contribuição.

Temos aqui um dilema ético-econômico:

Ora, se a expectativa de vida do povo em geral é de 75 anos e este mesmo povo é obrigado a trabalhar até 65 anos, o que lhes resta para usufruir? Qual a expectativa de realização social para uma nação cujo futuro apresentado é carente de significados? Quais as conseqüências disso para as gerações futuras?

Bem, nossa função no momento não é responder a estas questões, mas apenas, dar exemplo de como os pressupostos sociais podem ser derrubados, modificados ou dilatados em função das circunstâncias do momento ou para se ajustar aos valores de uma época. Estes paradigmas necessitam ser quebrados ou alterados com vistas a evolução de uma sociedade qualquer.

Nesse contexto:

“A transformação das relações entre a subjetividade, o trabalho e a ética carregam as marcas do redimensionamento da função do trabalho como base de coesão social. A compreensão dessa transformação constitui-se no desafio deste livro. Aqui buscamos analisar as relações entre trabalho e ética a partir dos efeitos das transformações dos valores associados ao trabalho e das condições objetivas de inserção no mercado de trabalho nos processos de subjetivação de das gerações de trabalhadores.”


Autor: Henrique Caetano Nardi;
Editora: UFRGS;
Idioma: Português;
Páginas: 222;
Ano: 2006.

Mário Sergio Cortella – Qual é a tua obra?

“Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética”

Nota: 8,00.

Neste livro, o professor Mário Sergio, oferece componentes para a construção de reflexões sobre o trabalho e sobre a forma como o encaramos. Apresenta elementos que ajudam a preparar nossas para se abrir a novas noções como, por exemplo, a substituição da ideia de trabalho como castigo por um conceito de algo que vai além do mero respeito às normas laborais e da execução das tarefas.

Nesse sentido, o trabalho deve ser ressignificado para algo tão superior quanto a realização de uma obra. Obra esta, que permanece no tempo a despeito da passagem da pessoa que a realizou e constituirá o conjunto de saberes desenvolvidos pela empresa de modo a servir a todos os que ali passarão. Nesta perspectiva, os atos de pensar estrategicamente, de dar ou de executar ordens, adquirem contornos cujos limites se expandem para algo que pode ser nomeado de prazer e dá às relações de trabalho um significado equiparado a isto que chamamos de espiritualidade.

“Qual é a tua obra?” não é manual. Ao contrário, pretende ser o elo que media e concilia as expectativas de patrões e empregados, chefes e subordinados de modo que ambos possam refletir e identificar o que há de mais gratificante no desempenhar de suas atribuições e almeja que cada um possa identificar aspectos de liderança no ato de executar suas atividades diárias para, dessa forma, enxergar significados e elevar o trabalho cotidiano em experiências transformadoras.


Autor: Mário S. Cortella;
Editora: Vozes;
Idioma: Português;
Páginas: 144;
Ano: 2015.



Marshall B. Rosenberg – Comunicação Não Violenta

“Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”

Nota: 8,00.

O livro é definido pela sua editora como um manual didático paras as pessoas com dificuldades de se fazer entender e de entender as pessoas num diálogo em qualquer tipo de circunstâncias. Obviamente, todos os que têm algum tipo de dificuldade de relacionamentos verão aqui, uma possibilidade de melhorar em muitos pontos. Mas calma que não é simples assim.

A metodologia utilizada pelo autor se diz voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Tal afirmação parte de um ponto de vista inusitado e muito coerente que se debruça sobre o modo de se comunicar das pessoas. É fato que muitos se comunicam de forma inadequada, mas também é verdade que muitos mais ainda, o fazem de forma inconsciente.

Portanto, tomar consciência da fala desproporcional é requisito básico para a leitura deste livro, pois pressupõe a busca de ajuda.

E, por falar em “buscar ajuda”, aqui reside outro ponto fundamental do livro, pois ele pretende ser declaradamente um manual de “auto-ajuda”. E, como sabemos, muitos têm bloqueios com esse tipo de conteúdo, por sentir dificuldade em admitir que precisa de ajuda. Mas a proposta do livro é justamente ajudar às pessoas a identificar em si mesmas, aquilo que se coloca como impeditivo de realizar o seu potencial.

Nesse contexto, a linguagem aqui utilizada busca ser didática, mas também – e, principalmente por isso – é demasiadamente branda, tornando a leitura sacal e podendo fazer com que muitos desistam do livro ao longo do processo de leitura.

No entanto, aqueles que estão certos de que podem ser beneficiados por mínimo que seja, certamente encontrarão formas de chegar ao final. Já outros, não terão a mesma paciência. Porém, este que vos escreve se encaixa no primeiro grupo e resistiu bravamente. O termo “bravamente” foi utilizado propositalmente para enfatizar que ninguém deve fazer qualquer coisa por sacrifício. Afinal, o que funciona para um não funciona necessariamente para todos.

Seja como for, é importante ter em mente que o livro sozinho não fará nada por ninguém, portanto, exige esforço de atenção e de compreensão daquilo que é essencial. Mais do que isso, para certificar-se de que esta no caminho desejado, o leitor deverá buscar feedback de pessoas em quem confia com vistas a confirmar as percepções que tem sobre si e sobre sua forma de dialogar.

Por isso, como tudo na vida varia conforme as circunstâncias, o maior desafio é o de aprender a interpretar a si próprio e sua forma de atuar nos ambientes em que interage, para assim, dar respostas mais ou menos apropriadas nas diversas situações do cotidiano.

Ao conseguir achar uma forma – o seu timing – de iniciar este aprendizado, perceberá que o livro começara a produzir os efeitos almejados.


Autor: Marshall B. Rosenberg;
Editora: AGORA;
Ano: 2006 (1ª Edição);
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 288.

Ken Robinson – Libertando o Poder Criativo

“A Chave Para o Crescimento Pessoal e Das Organizações”

Nota: 9,00.

O que seria de Vincent van Gogh se houvesse freqüentado uma escola de artes? O que seria da arte se estivesse subordinada a padrões de comportamento e a valores de épocas? Bem, a resposta é ao mesmo tempo simples e objetiva: van Gogh muito provavelmente não teria sido reconhecido como um gênio da arte moderna e, da mesma forma, arte condicionada não é arte.

O motivo de tais afirmações reside em que a arte de um modo geral, é algo que existe para questionar modelos e denunciar realidades falseadas, mas principalmente, existe para estimular o pensamento criativo. Este por sua vez, deve ser livre, mas para ser livre, há que ser puro no sentido de não sofrer influências que o limitem. Mas pelo que se sabe não há como ser puro num mundo em que a dinâmica que rege as relações giram em torno de poder e de influência.

É aqui onde entra o pensamento perspicaz de Ken Robinson. Ele busca oferecer uma visão inovadora sobre como os modelos educacionais moldam os comportamentos de modo a agir como limitantes do poder criacional.

Ele argumenta que:

“As pessoas e empresas no mundo todo lidam com problemas originados na escola e nas universidades e que muitas pessoas param de estudar sem ter um conhecimento verdadeiro das suas capacidades criativas.”

Nesse sentido, Libertando o Poder Criativo questionar a forma como somos treinados para pensar e de como esse treinamento visa uniformizar a forma segundo a qual devemos agir para gerar resultados e/ou de justificar o fracasso quando o treinamento não produz o sucesso pretendido.

Assim, Robinson pretende demonstrar como e por que a maioria de nós perde a capacidade criativa ao longo da vida escolar. E ao falar abertamente desses “problemas”, ele expõe problemas encontrados no sistema educacional tradicional e os relaciona com o tipos de inteligências necessárias para produzir soluções nos dias de hoje.

Segundo o autor, compreendendo como funcionam os modelos educacionais vigentes (na família, escola, universidade e empresas), é possível achar brechas que nos permitem burlar a lógica tradicional na busca de produzir soluções originais.

Dessa forma, poderemos libertar o poder criativo para agir com muito mais segurança e liberdade no campo acadêmico e profissional.


Autor: Ken Robinson;
Editora: HSM;
Ano: 2012;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 304.

Edgar H. Schein – Cultura Organizacional e Liderança

“Transformando o conceito em uma ferramenta prática da administração”

Nota: 10,00.

Para compreender o significado de Cultura somos obrigados e revisitar estudos de antropologia, os quais tratam intimamente dos comportamentos e costumes de todos os agrupamentos de pessoas que se reúnem por quaisquer tipos de motivos. Todavia, para simplificar, recorremos à literatura formal, que define Cultura como sendo ”todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.

A definição acima está correta, porém, ao desviar um pouco desse tipo de definição, que se impões quase que como uma norma, nos permitimos enxergar aspectos mais profundos do conjunto de variáveis que regem as regras postas e tácitas de todo grupo em sua singularidade.

Nas organizações empresariais, por exemplo, vários estudiosos se dedicaram à busca da compreensão deste todo elaborado que se fundamenta na interação entre as pessoas. E essa compreensão se deu pela verificação e através do estabelecimento de padrões (comportamentos que se repetem) que circulam em torno do objetivo (atividade econômica, missão e valores) da empresa.

Dentre os estudiosos do tema, um dos pioneiros é Edgar Schein, conhecido pelo aprofundamento com que se insere nos estudos sobre cultura organizacional. Neste livro (que o encontramos em sua 3ª edição), “traz uma atualização de seu entendimento da cultura como conceito, tratando-a como uma abstração, mas de suma importância para se entender o conflito intergrupal no nível organizacional.”

Fazendo uma aproximação super didática com um tema intimamente ligado aos estudos organizacionais, a liderança, Schein mostra como aqueles que têm poder de decisão nas empresas criam a cultura na justa proporção em que criam grupos. E como a cultura, uma vez instituída estabelece os critérios para as lideranças que se seguem. Nesse ato contínuo, os líderes acabam por determinar quem será ou não líder naquela organização.

Dessa forma, este livro representa uma grande fonte de informação para quem estuda lidera e/ou deseja compreender melhor a fisiologia das organizações na perspectiva comportamental.


Autor: Edgar H. Schein
Editora: Atlas;
Ano: 2009;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 415.

Fela Moscovici – Desenvolvimento Interpessoal

“Treinamento em grupo”

Nota: 9,00.

Cada pessoa tem um modo próprio de agir, ou seja, um modo pessoal. Nesse sentido, ao fazer parte de um grupo, o comportamento pessoal de cada um entrecruza-se ao dos demais dando origem ao relacionamento interpessoal. Este, por sua vez, envolve um conjunto de normas que orientam as interações entre membros do referido grupo.

Dessa forma, o conceito de desenvolvimento interpessoal surge da necessidade de aprimoramento do comportamento individual com vistas a aproveitar os melhores comportamentos de cada um dentro de um grupo.

Esses comportamentos começam a ser estimulados muito cedo: do maternal até a os cursos de doutorado. E, enquanto há pessoas que desenvolvem essa habilidade sem grandes esforços, alguns levam uma vida inteira para conquistá-la. Outros, nem conseguem.

Justamente por isso, está é uma habilidade muito valorizada pelas empresas. Pois é um instrumento altamente eficaz para a geração de resultados.

Nesse contexto, Fela Moscovici, elaborou um guia para treinamento de grupos. O livro destina-se principalmente a educadores e profissionais de organizações públicas ou privadas, como dirigentes, executivos, gerentes ou assessores. Mas também pode ser dirigido aos professores e estudantes de ciências comportamentais e a qualquer pessoa interessada em conhecer mais sobre as relações humanas e se aprimorar na sua própria jornada.

O livro é uma coletânea de textos que contém fundamentações conceituais e sugestões de atividades para aplicação em treinamentos de desenvolvimento em grupo. É um material de fácil leitura, sem rigidez na seqüência dos textos e dos exercícios. De acordo com a autora, este não é um manual de técnicas e orientações. Mas pode ser utilizado como um orientador para situações específicas. Cabe a cada um reconhecer o momento adequado para aplicá-lo de acordo com sua criatividade e conforme as circunstâncias.


Autor: Fela Moscovici;
Editora: José Olympio;
Ano: 2008;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 400.

Referências:

James C. Hunter – O Monge e o Executivo

“Uma história sobre a essência da liderança”

Nota: 8,00.


O livro conta a historia de John Daily um executivo bem sucedido que tinha uma vida que certamente seria considerada boa por muitos de nós, no entanto, ele tinha problemas como quaisquer um de nós: sua mulher demonstrava insatisfação com o casamento e seus dois filhos estavam na fase da rebeldia adolescente e retrucavam tudo o que ele dizia. Pra piorar, no ambiente de trabalho, havia desgaste profissional.

 Percebendo seu aborrecimento crescente, sua esposa aconselhou que falasse com o Pastor da igreja que frequentavam para pedir aconsehamento. O Pastor o convenceu a passar alguns dias num mosteiro, para onde um grande executivo também havia ido e lá compartilhava seus aprendizados com quem desejasse ouvir.

O ex-executivo transmitia seus conhecimentos sobre o mundo corporativo de uma forma pouco convencional e desse modo enfatizava a diferença entre liderar e servir, e sobre como ambas se complementavam.

Um dos momentos mais marcantes é quando distingue a Administração segundo o velho e novo paradigmas:

De acordo com o antigo paradigma, no mundo corporativo, as pessoas (donos de empresa, gerentes e demais funcionários), baseavam suas crenças no seguinte:

  • Os EUA eram imbatíveis;
  • Administração centralizada é como deve ser;
  • O Japão somente fabrica produtos de má qualidade;
  • Eu penso (postura que reforça o individualismo);
  • Apego a um modelo (modelo baseado no “sempre foi assim”);
  • As empresas têm que gerar lucro a curto prazo;
  • Trabalhar, trabalhar e trabalhar (cumprir tarefas mecanicamente);
  • Evitar e temer mudanças (sem comentários);
  • Está razoável (ou seja, vamos fazer de qualquer jeito).

De acordo com o novo Paradigma, no mundo corporativo e na vida pessoal (todos nós), devemos nos basear no seguinte:

  • A concorrência é global (mundial);
  • A Administração descentralizada aponta para a abertura de conceitos;
  • O Japão fabrica produtos de alta qualidade;
  • Liderar também é servir;
  • Causa e efeito (tudo ocorre como conseqüência de alguma coisa);
  • Melhoria contínua (aprendizado contínuo);
  • O lucro deve ser planejado para curto, médio e longo prazos;
  • Sócios (postura que reforça o colaborativismo);
  • A mudança é uma constante (sem comentários);
  • Defeito Zero (significa que a qualidade é algo que deve ser perseguido).

Dizendo isto, o monge explicava que a verdadeira liderança é algo que deve ser feito com amor e que, portanto, deve buscar primeiramente servir. Disto decorre que o bom líder deve incentivar e dar condições para que as pessoas se tornem melhores.

O livro em si é sobre liderança, mas uma forma de liderança libertadora que busca identificar o que há de melhor nas pessoas e usa isto para empoderá-las.  A liderança servidora é reconhecida pelo respeito conquistado, pela autoridade legitimada pelo exemplo e pelo amor ao servir (independente de a quem se sirva).  

Jonh refletiu sobre como estava conduzindo sua vida pessoal e profissional e identificou muitas oportunidades de melhoria. Foi o princípio do começo da mudança. A mesma mudança que todos nós almejamos, mas que não temos coragem e/ou disposição para dar o primeiro passo – a menos que estejamos próximos do fundo do poço.

De todo modo, o lado bom é que sempre poderemos recomeçar. Todos os dias são novas oportunidades de aprender e de pôr em prática novas percepções, novos olhares e de rompermos com os velhos paradigmas.



Escritor: James C. Hunter;
Editora: Sextante;
Paginas: 127.